"Sem-palavras." José Fernando recebeu uma casa após 20 anos a viver na rua

Deputados do PAN consideram que programa É Uma Casa é o mais indicado para reintegrar pessoas em situação de sem-abrigo.

Depois de 20 anos a viver nas ruas de Lisboa, José Fernando tem uma nova casa e uma nova vida. É na rua do Mirador, no centro de Lisboa, que sobe todos os dias dois andares para chegar à habitação que lhe foi entregue pelo programa É Uma Casa, da associação Crescer.

"Entrem, a minha casa é a vossa casa." De máscara, sorriso por detrás desta e orgulhoso, José Fernando apresenta uma casa arrumada e que o deixa "sem palavras" desde a primeira visita. "Tem a sala, o quarto aqui deste lado, uma casa de banho, o ar condicionado - diz entre risos -, a cozinha, máquina de lavar roupa. O que hei-de dizer mais e de pedir mais?", questiona, de braços abertos.

Antes de ter uma casa só para si, Zé - como o próprio se apresenta - já esteve em vários programas de habitação e reintegração, mas voltou sempre às ruas, entre alturas em que conseguiu trabalhos e tempos mais difíceis.

Os deputados André Silva e Inês Sousa Real visitaram a nova habitação de José Fernando e veem neste programa uma alternativa muito diferentes das outras existentes para pessoas em situação de sem-abrigo.

O porta-voz do partido explica que esta é uma "resposta integrada" que ajuda as pessoas que estão em situação de sem-abrigo de forma crónica e que "as outras respostas não são as mais adequadas e/ou não deram resultado".

O programa tem um custo na ordem dos 21 euros por dia, por pessoa, um preço que André Silva considera "muito mais económico e vantajoso do que outros programas que existem", mas, ainda assim, critica o presidente da Câmara de Lisboa em relação ao apoio, dizendo que Medina "podia e deveria fazer mais e cumprir as promessas" e deixa um apelo para que o Housing First se estenda para o resto do país.

Américo Nave, diretor executivo da associação Crescer, acredita que o sucesso do programa está na diferença. O É Uma Casa "é um programa onde as casas são individuais e dispersas pela cidade, onde as pessoas podem fazer as suas próprias regras e não estão num gueto onde só estão pessoas que estão em situação de vulnerabilidade", realça, frisando que é importante que estas pessoas criem relações de vizinhança, possam receber a família ou até mesmo decorar a casa.

Para que a reintegração seja completa, a associação Crescer vai ajudar José Fernando a arranjar trabalho, apesar de o momento não ser o mais fácil.

Por enquanto, já está de mochila às costas, os olhos deixam revelar o sorriso que está por detrás da máscara e a confiança na nova vida é tanta que a porta até fica encostada porque "aqui não há problema".

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