Sem verbas previstas no OE, cuidados continuados temem "aumento brutal" de custos

Em declarações à TSF, o presidente da Associação Nacional de Cuidados Continuados revela que os apoios prometidos pelo Governo nunca chegaram às unidades.

O presidente da Associação Nacional de Cuidados Continuados, José António Bourdain, lamenta que o Orçamento do Estado para este ano não contemple verbas para o setor, depois do chumbo das medidas da IL, CDS e PAN, que apresentaram propostas nesse sentido.

Em declarações à TSF, José António Bourdain acusa o Governo de estar a condenar estas unidades de saúde ao fecho de portas, uma vez que a situação está a agravar-se de dia para dia e perspetiva inscrita no documento orçamental do próximo ano não é a melhor.

"Mais uma vez não vamos ter aumento de preços para os Cuidados Continuados quando, por outro lado, o Governo também já veio dizer que vai novamente aumentar o salário mínimo em janeiro", nota o representante, que alerta que "os custos vão aumentar brutalmente e, do lado da receita, fica tudo na mesma".

A questão vai além do subfinanciamento. Em março, revela José António Bourdain, o atual secretário de Estado da Saúde prometeu que chegariam aos Cuidados Continuados materiais de proteção.

"Até hoje não nos chegou qualquer máscara, nem sequer um cêntimo para reforçar todos os aumentos de custos que tivemos com a pandemia", lamenta.

"Também não conseguimos contratar recursos humanos", em especial enfermeiros, profissionais sem os quais as unidades de Cuidados Continuados têm muitas dificuldades em manter-se em funcionamento.

À TSF, José António Bourdain dá conta de um problema que o próprio vai ter de resolver nos próximos dias na instituição a que preside, a CERCITOP - Cooperativa de Empreendedorismo para o Desenvolvimento Económico e Social de Todo o País.

Depois de uma conversa com a Diretora de Recursos Humanos, soube que "mais uma enfermeira" da instituição despediu-se para "ir trabalhar para um hospital público".

"Receio que, das duas Unidades de Cuidados Continuados que temos, tenha de encerrar uma", confessa. Com 25 doentes na unidade, Bourdain terá de "chamar 25 ambulâncias para levar as pessoas para hospitais públicos".

"Não tenho enfermeiros para cuidar destas pessoas e elas não sobrevivem se não tiverem cuidados de enfermagem", reconhece o líder da CERCITOP. "Na situação em que eu estou, estão outras centenas de unidades de Cuidados Continuados pelo país fora."

Além da dificuldade em encontrar recursos humanos, José António Bourdain denuncia também uma baixa taxa de ocupação de camas na Rede de Cuidados Continuados. "Isto é um paradoxo", reconhece.

"Com tanta falta de camas, com hospitais a entrar em colapso, não se entende como é que a taxa de ocupação da rede é a mais baixa de sempre." Se esta taxa baixar dos 85%, as unidades "não recebem a totalidade do pagamento das camas vazias", algo que "agrava mais o subfinanciamento.

Sem perceber as razões de um fenómeno que diz ser "ilógico e irracional", José António Bourdain acusa ainda o Governo de, com a falta de financiamento, estar a condenar o setor a uma morte lenta.

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