"Sempre bom ter mais uma mulher por perto." Maria Halpern Diniz é a primeira promovida a oficial general da Marinha

São as primeiras declarações públicas desde que se tornou oficial general. A comodoro Maria Halpern Diniz reconhece que, atualmente, já há mais mulheres a bordo e a subir na hierarquia, referindo que "é só uma questão de mais tempo" para que mais mulheres atinjam o topo da armada. Maria Halpern Diniz considera ainda que, numa unidade naval, "não é o desejável ser-se o único elemento feminino a bordo".

É a primeira mulher da Marinha a chegar ao posto de oficial general. Maria Halpern Diniz é, desde 13 de janeiro, diretora de Saúde da instituição. Médica de formação, chegou à instituição militar por acaso, há 25 anos, e foi, entre outros cargos, diretora do Centro de Medicina Naval. Hoje, é uma entre as muitas que vão subindo na hierarquia. Pode mesmo dizer-se que há mais marés do que marinheiras.

Na sua primeira entrevista desde que se tornou oficial general, Maria Halpern Diniz reconhece que, antigamente, "eram raros os navios com guarnições mistas". Nos dias hoje, já é diferente. "Isto agora vai mudando, é mais frequente isso acontecer", afirma, em declarações à TSF.

Maria Halpern Diniz relembra que as mulheres "estão sempre a bater feitos", dando como exemplo, "a primeira mulher nos submarinos, a primeira mulher que já tinha sido antes comandante de uma lancha, comandante de um navio ou piloto de helicóptero."

Promovida ao posto de comodoro, refere que a Marinha "teve que se adaptar". "Nem todos os navios eram fáceis, é preciso haver cobertas femininas e masculinas, é preciso que os camarotes das instalações dos sargentos e oficiais estejam preparados até a nível dos sanitários", diz.

Mulheres a bordo são muitas nos dias de hoje. Mas essa não era a realidade em 2000, quando embarcou na missão da Untaet, em Timor.

"A Vasco da Gama era uma guarnição exclusivamente masculina. Lá se adaptaram, tive que ir para uns outros alojamentos, mas tudo se fez", conta.

Maria Halpern Diniz sublinha que "é sempre bom ter pelo menos mais uma mulher por perto". "Quando foi na viagem da Sagres, foram mais de três de meses, a certa altura viemos a Lisboa e embarcaram os cadetes do primeiro ano e foi uma psicóloga e a psicóloga ficou no meu camarote. Foi muito bom", lembra.

"No meio de uma unidade naval, não é o desejável ser-se o único elemento feminino a bordo", assinala. "Eles são uns cavalheiros e a nível da câmara é uma alegria. Para já, eles gostam de ter lá um médico, para eles foi ótimo, para mim também correu tudo bem, mas eu acho que é desejável e é bom e isso agora acontece assim, não ficar um elemento feminino único a bordo. É mais enquadrante se houver mais", explica.

Já faltou mais para uma mulher chegar ao topo da hierarquia da armada. "É só uma questão de mais tempo", indica Maria Halpern Diniz, garantindo que "lá chegarão por mérito próprio".

A comodoro acompanhou a substituição do chefe do Estado-Maior da Armada e admite que "há sempre polémicas".

"O senhor almirante Gouveia e Melo tem todo o mérito de ter chegado até onde chegou. O senhor almirante Mendes Calado foi um ótimo chefe do Estado-Maior da Armada, fez um excelente trabalho", considera.

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