"Sentinela" não funcionou na noite das agressões a Giovani

Proprietários do bar garantem que tudo o que se passou no interior do estabelecimento foi "banal".

A PSP de Bragança, os bares e as discotecas da cidade têm em vigor desde junho do ano passado o programa "Noite Segura". O programa contempla uma figura chamada "sentinela" (algum dos responsáveis dos estabelecimentos noturnos) que alerta a polícia quando existem problemas ou "ambientes" que sugiram contendas.

É baseado nesse programa que José Neto, superintendente da PSP de Bragança diz que "sim", se naquela noite o "sentinela" do bar tivesse feito a comunicação para a polícia, tudo poderia ter sido evitado.

"A resposta é sim! Provavelmente o que é que aconteceu? As pessoas que gerem estes espaços, que gerem estes espaços são pessoas conhecem bem os comportamentos das pessoas e provavelmente houve a confiança por parte do estabelecimento que tinha tudo controlado... E as coisas precipitaram-se."

Sem gravar declarações, à TSF, os responsáveis do bar confirmam que lá dentro "foi tudo banal" e que "não houve nada que justificasse uma chamada porque o que se passou passa-se muitas vezes".

O Superintendente da PSP de Bragança acrescenta que este caso foi "um caso isolado", que todos devem aprender com os erros, PSP incluída, e reforça a ideia de uma cidade segura.

"Bragança é uma cidade segura. As pessoas são pessoas disciplinadas, são pessoas responsáveis, e nada disso se alterou. A Polícia de Segurança Pública obrigatoriamente tem que ler o que se passou e se tiver necessidade de, aqui sim, reforçar a leitura dos factos, perceber se cada jovem, durante a noite, aparece caído, foi objeto ou não de uma agressão, isso provavelmente é nossa obrigação. Aprendemos com os nossos erros, como é evidente", refere José Neto.

O Superintendente falava no final de uma reunião do conselho municipal de segurança, que foi antecipada cerca de 3 meses, justamente por causa deste caso. A PSP vai estudar a noite de Bragança em conjunto com outras entidades locais para compreender se existem fenómenos de violência desconhecidos das autoridades, por ausência de denúncia.

Em 2019, o número de queixas por ofensas graves à integridade física duplicou em Bragança, mas reduz-se a quatro denúncias, o que o comandante entende que "não corresponde de todo à verdade".

O que a polícia quer agora é que estas situações cheguem ao conhecimento da autoridade competente e pede mais cooperação por parte de outras entidades, desde bombeiros, à Saúde e mesmo dos estabelecimentos de diversão.

O Superintendente informou que, já na quarta-feira, a PSP reúne-se com os corpos de bombeiros de Bragança e Mirandela, as duas cidades do Nordeste Transmontano, sob a alçada da PSP, para perceber "efetivamente que leitura é que eles têm dos episódios a que são chamados a intervir, especialmente durante a noite".

Hernâni Dias, presidente da Câmara de Bragança diz que as pessoas "não deverão ter sentimentos de insegurança porque devem confiar na justiça e também porque se trata dum caso isolado". No entanto uma das resoluções do conselho sustenta a necessidade, já demonstrada antes noutras ocasiões, de mais efetivos jovens para a PSP de Bragança e Mirandela.

"Será necessário haver mais reforço policial porque com a idade as pessoas também vão perdendo algumas faculdades. É necessário que nós, em Bragança, percebamos o efeito de rejuvenescimento, dos agentes policiais, para que se garanta que a cidade continua, como é hoje, felizmente, uma cidade segura."

O documento dando conta destas necessidades já seguiu para o Governo, Assembleia da República e Presidente da República.

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