Setembro chuvoso leva a diminuição "significativa" da seca meteorológica em todo o país

Apenas a região de Bragança ainda se mantém em seca extrema.

Aquilo que choveu nas primeiras duas semanas do mês fazem de setembro o quarto mais chuvoso desde 2000, indica a análise climatológica da quinzena feita pelo Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA) que assinala também "uma diminuição significativa da situação de seca meteorológica em todo o território".

De acordo com o instituto nacional, as "quantidades de precipitação ocorridas verificaram-se principalmente nos dias 12 a 14 de setembro, com os valores mais significativos a ocorreram no interior Centro, em particular no distrito da Guarda", uma consequência da influência da tempestade Danielle.

"O total de precipitação nestes 14 dias, 52 mm, corresponde a 123 % em relação ao valor médio 1971-2000. Este valor até à data corresponde ao 4.º setembro mais chuvoso desde 2000 (valores mais altos em 2014, 2002, 2006, 2021)", pode ler-se na nota divulgada esta sexta-feira.

No distrito da Guarda, frisa o IPMA, a precipitação ocorrida nos dias 12 a 14 de setembro foi "superior ao valor normal para o mês" e "cerca do triplo da precipitação normal do mês".

No que toca à situação de seca meteorológica, "verifica-se que o índice PDSI [Palmer Drought Severity Index] , a 15 de setembro, registou uma diminuição significativa da situação de seca meteorológica em todo o território, com as classes de seca moderada e severa a predominarem em todo território", em especial nos distritos da Guarda, Viseu e Castelo Branco.

A classe de seca extrema teve também "uma diminuição muito acentuada, apenas a região de Bragança ainda se mantém nessa classe".

Com este desagravamento da situação, 3,1% do território está em seca fraca, 50.2 % em seca moderada, 45.9 % em seca severa e 0.8 % em seca extrema. No final de agosto, o panorama era de 60,4% do território em seca severa e 39,6% em seca extrema.

Para as próximas duas semanas, no que toca à precipitação, o IPMA prevê valores abaixo do normal (-10 a 1mm) para as regiões do Norte e Centro.

Já em relação à temperatura média mensal, prevêem-se "valores acima do normal para todo o território" (+0.25 e 3 C) até dia 25 de setembro. Em alguns locais nas regiões norte, sul e litoral centro, esses valores acima do normal irão estender -se até dia 9 de outubro.

Menos País em seca extrema e severa

O presidente do IPMA considera que já houve uma melhoria no mapa da seca em todo o território. "Temos que ser positivos porque caiu bastante chuva", afirma à TSF. " A meio de setembro, só devido ao Danielle já ultrapassámos o que é normal chover" neste mês. Miguel Miranda conta que houve "situações de precipitação quase extrema, com 100 milímetros caídos numa hora".

No entanto, há ainda zonas a viverem uma situação de stress hídrico, como grande parte do Algarve, o nordeste transmontano e o Baixo Alentejo.

As previsões da meteorologia a médio prazo não são muito animadoras para quem aguarda chuva." As previsões apontam todas para um regime mais seco do que o normal, mas atenção, não para uma situação extrema de seca", revela Miguel Miranda.

No entanto, o presidente do Instituto Português do Mar e da Atmosfera considera que há cada vez mais probabilidade de termos fenómenos como o [ciclone] Danielle e, se eles não trouxerem chuva torrencial, serão uma forma do País sair da situação de seca.

"Por vezes as previsões podem ser ultrapassadas por acontecimentos extremos pontuais, mas que têm efeitos significativos", adianta.

"Existe a possibilidade de termos fenómenos similares [à depressão Danielle]e se fôr assim, talvez tenhamos a sorte, por que é de sorte e azar que se trata, de termos uma reposição mais intensa dos níveis freáticos", assegura.

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