"Verão quente" na banca. Sindicato critica silêncio do Governo ante despedimentos no BCP

Para Paulo Marcos, a dispensa de 800 trabalhadores é uma decisão "brutal" e "desnecessária", revelando "uma imensa insensibilidade social numa altura de pandemia".

O sindicato dos quadros e técnicos bancários critica o silêncio do Governo, perante a intenção do BCP de dispensar 800 trabalhadores. O presidente do Millennium BCP quer dispensar os 800 funcionários até ao final do ano, num processo em que o banco escolhe quem vai embora.

O presidente do Sindicato, Paulo Marcos, acusa os dirigentes dos bancos de cinismo e oportunismo, ao avançarem com uma medida despropositada: "Há duas realidades que convém perceber: por um lado, o oportunismo e o cinismo de alguns dirigentes financeiros e, por outro lado, um silêncio ensurdecedor do Governo que assiste a isto e não exerce o seu magistério de influência, as suas prerrogativas executivas e legislativas, como temos visto acontecer aqui na vizinha Espanha."

Para Paulo Marcos, esta medida é "brutal" e "desnecessária", revelando "uma imensa insensibilidade social numa altura de pandemia".

"É de ressalvar que o ano 2021 está a ser muito bom para o setor financeiro, um pouco em toda a Europa. Portanto, isto aparece como um movimento não desejado e inoportuno", acrescenta.

O dirigente sindical sublinha a existência de "um contraste imenso entre o nosso primeiro-ministro que está calado sobre isto e o primeiro-ministro espanhol que admoestou, chamou a atenção aos bancos e obrigou-os a rever os seus planos de reestruturação no sentido de terem maior conteúdo social".

Paulo Marcos revela que gostaria de ouvir do Governo que, "em ano de pandemia, com a economia ainda a encetar um processo de recuperação, grandes empresas deviam ter preocupações sociais". Isto é, "eventuais planos de estruturação em empresas muito lucrativas deviam ser comedidos e deviam ser alongados ao longo do tempo".

Indignado, Paulo Marcos promete um verão quente na contestação à banca, admitindo todas as formas de luta.

"Nós estamos a equacionar tudo. Muito recentemente, os sete sindicatos do setor juntaram-se em manifestação à porta da Assembleia da República. Os trabalhadores estão a discutir este tema e, portanto, ponderamos avançar para todas formas de contestação e de obstaculização. Penso que vamos ter um verão particularmente quente. A opinião pública de certeza que não vai ficar indiferente a quem quer, de forma unilateral, fazer cessar as relações que estabeleceu de forma livre com os seus trabalhadores", remata.

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