Sindicato dos Médicos pede respeito após despacho do Governo exigir celeridade

O despacho indica que os "intervenientes na gestão da pandemia encontram-se vinculados a um especial dever de colaboração e de celeridade.

O Sindicato Independente dos Médicos (SIM) pediu esta quarta-feira ao Governo que respeite quem combate a pandemia de Covid-19, após um despacho determinar o "dever de colaboração e de celeridade" para 19 freguesias da Área Metropolitana de Lisboa (AML).

"Tenham o mínimo de respeito por quem trabalha todos os dias na linha da frente do combate à Covid-19 e dá muito mais do que aquilo a que está obrigado no seu trabalho", lê-se na nota publicada no sítio oficial do SIM.

O despacho, publicado em Diário da República na terça-feira, indica que os "intervenientes na gestão de casos de doença Covid-19 e dos seus contactos, que participam na vigilância epidemiológica e no apoio à sua realização encontram-se vinculados a um especial dever de colaboração e de celeridade na sua atuação, no quadro das suas competências" em 19 freguesias de cinco concelhos da AML: Amadora, Lisboa, Loures, Odivelas e Sintra.

O Governo conta, entre esses intervenientes, as autoridades de saúde pública, as unidades de cuidados nas comunidades, as forças de segurança, os departamentos municipais de proteção civil e os serviços municipais de ação social, bem como o centro distrital de Lisboa do Instituto da Segurança Social.

O sindicato criticou o despacho emitido num momento em que "não há recursos humanos suficientes nas unidades de saúde" e em que "os médicos e restantes profissionais das unidades de saúde pública" estão "exaustos", com "uma sobrecarga de trabalho sobre-humana, sem dias de descanso durante semanas".

O SIM vincou ainda que não é "humanamente possível responder em tempo útil às dezenas ou centenas de solicitações", devido à "inação" e à "incapacidade de planeamento do Governo", e exigiu mais recursos para se poder dar a "resposta célere" imposta pelo despacho, emitido pelos ministros da Administração Interna e das Ministras da Modernização do Estado e da Administração Pública, do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social e da Saúde.

"O sentido de dever dos profissionais de saúde existe muito antes de qualquer despacho de vossas excelências. Assumam também, vossas excelências, o dever de disponibilizar os recursos humanos e materiais adequados à resposta célere que tanto agora desejam", lê-se na conclusão da nota.

As 19 freguesias da AML mencionadas no despacho passaram, no sábado, da situação de calamidade para a situação de contingência, no âmbito da pandemia.

Portugal contabiliza pelo menos 1.740 mortos associados à Covid-19 em 51.848 casos confirmados de infeção, segundo o último boletim da Direção-Geral da Saúde (DGS).

A pandemia de Covid-19 já provocou mais de 701 mil mortos e infetou mais de 18,5 milhões de pessoas em 196 países e territórios, segundo um balanço feito pela agência francesa AFP.

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