"Só havia uma razão para Viana do Castelo não ser Património Mundial e chama-se prédio Coutinho"

O ministro do Ambiente afirma que deitar abaixo o prédio Coutinho vai permitir candidatar a cidade de Viana do Castelo a património da Unesco.

O ministro do Ambiente e Ação Climática, Matos Fernandes, saudou esta segunda-feira o arranque da obra de demolição do Edifício Jardim, que deverá ficar concluída em fevereiro de 2022. O ministro considerou que a erradicação do imóvel, que irá custar 1,2 milhões de euros, será o passo necessário para candidatar aquela cidade a património da Unesco.

"Só havia uma razão para Viana do Castelo para Viana não ser Património Mundial e chama-se prédio Coutinho", disse Matos Fernandes, esta manhã, em Viana, no decorrer da cerimónia de consignação da empreitada à empresa Baltor, que venceu concurso público com uma proposta de valor inferior ao base (1,7 milhões).

A operação será executada por "desconstrução seletiva", com aproveitamento dos resíduos para utilização posterior noutras obras, segundo explicou o CEO da empresa, Cláudio Costa. Os primeiros trabalhos preparatórios começam esta segunda-feira, sendo que durante agosto será feita "leitura do edifício e montagem do estaleiro".

Em setembro, "uma equipa de 20 a 30 pessoas vai desmembrar o edifício e deixá-lo tosco", para numa fase seguinte avançar "uma máquina com um braço de mais de 30 metros" para reduzir o imóvel a escombros. "Queremos que seja um espetáculo de desconstrução", disse Cláudio Costa, referindo que aquele é "um projeto de valor acrescentado" também pelo reaproveitamento de resíduos, numa altura em que "a construção civil vive um momento crítico de falta de mão-de-obra".

O ministro do Ambiente destacou, a propósito: "Há uma razão pela qual valeu a pena esperar 20 anos. Há 20 anos nós dizíamos mesmo demolição. Demolir era tirar daqui [resíduos] e podia ser que se aproveitasse alguma coisa. Hoje não. Quase tudo o que daqui sair vai voltar a ter valor económico".

Considerou esta segunda-feira "um dia feliz, que demonstra que a persistência vale a pena" e referiu que o caso prédio Coutinho envolveu "um conjunto de super-heróis" - entre eles o anterior presidente da Câmara, Defensor Moura, que deu início ao processo em 2000 - que persistiram no cumprimento "do interesse público". "Não podíamos vacilar, sob pena de estarmos a dizer que o interesse público era menos relevante que um conjunto de interesses privados", disse.

O autarca de Viana do Castelo, José Maria Costa, comentou, quanto a uma eventual candidatura a Património Mundial, que "com o edifício Jardim, esse desidrato, não era possível". "Nós precisamos também de ícones e de referências. Estou certo de que Viana do Castelo, ao candidatar-se para Património Mundial com este centro histórico, vai acrescentar valor também à região Norte, que já tem outros espaços e áreas classificadas", declarou, junto ao prédio, considerando que a candidatura "é um ótimo desafio".

O autarca informou que o futuro mercado da cidade começará a ser construído em 2022 no local do Coutinho e deverá ficar concluído "no final de 2023".

"Hoje é um dia importante para Viana do castelo. As pessoas já estavam um bocadinho cansadas deste romance", concluiu.

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