"Só queremos que nos deixem viver em paz." Um manifesto dos pais pelos direitos das crianças trans
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"Só queremos que nos deixem viver em paz." Um manifesto dos pais pelos direitos das crianças trans

O projeto "Let's change the pace" quer mudar o rumo das políticas para as crianças transexuais na Europa. Durante dois dias, especialistas em questões LGBTI+ e pais de crianças transexuais de toda a Europa estiveram reunidos em Portugal para debater as práticas trans nos países europeus.

Do encontro, saiu um Manifesto pelos direitos dos jovens trans, que foi apresentado, esta sexta-feira, na Assembleia da República.

Alexandra foi mãe de um rapaz durante 14 anos. Um dia, em vez de um filho, passou a ter uma filha e tornou-se mãe de uma jovem transexual. "Sou de Beja, nascida, criada e vivo em Beja, uma pequena cidade no interior do país, onde toda a gente se conhece, é óbvio que houve uma série de questões que, de repente, se levantaram", conta.

Quando a bejense soube o que se passava com a filha, sentiu "pânico total" porque um colega da escola descobriu e espalhou a notícia. A jovem teve sorte, porque recebeu o apoio da escola e dos professores, assim como o acompanhamento médico de que precisava. É, nas palavras desta mãe, "um caso de sucesso".

Mas nem sempre é assim que acontece.

Rutta é mãe de um rapaz trans da Lituânia, um país onde, garante, ainda se vive muito o preconceito. "Nós só queremos que as pessoas nos deixem viver em paz, para que possamos ser quem nós somos e não tenhamos de nos esconder nem de ter medo", confessa. "O meu filho tem medo de que alguém o insulte ou que lhe bata."

A lituana Rutta sente que o sistema não está do lado do filho dela. O mesmo afirma Malgorzata, outra mãe de uma criança trans, esta, vinda da Polónia. "Nós não temos leis apropriadas em termos de transfobia, que protejam os nossos filhos. O partido que temos no Governo está a usar as crianças trans para criar medo", desabafa.

Ayse, mãe de uma criança trans da Turquia, questiona o que temem aqueles que se recusam a reconhecer os direitos dos jovens transexuais: "Têm medo de quê? Têm medo de quem? Medo de famílias que amam os filhos? Medo de pessoas que querem ser elas próprias?"

"Os nossos filhos podem ser membros extraordinários da sociedade. Vão pagar impostos. Vão tornar-se médicos, advogados... Vão ser como vocês. Vão ser como nós", completou.

E foi por isso que pais de crianças transexuais, de toda a Europa, se juntaram em Lisboa para criar um manifesto e exigir aos responsáveis políticos que façam mais pelos direitos destes jovens. Alexandra deixou o apelo: "Falta mais, ainda há muito mais para fazer e acho que aqui é o local certo para nós pedirmos por favor, a quem tem esse poder, que reveja alguns aspetos e que façamos mais para que os nossos filhos possam ser eles próprios onde quer que vão."

Em nome da Assembleia da República, Augusto Santos Silva deu aos pais a garantia de que o Parlamento português está a ouvi-los, e assegurou que o Manifesto pelos Direitos das Crianças Trans será distribuído pelos deputados.

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