Sociedade de investimento ameaça parar obras no antigo Hospital do Desterro

Pode cair por terra a nova vida do antigo Hospital do Desterro em Lisboa.

A sociedade de investimento responsável pela obra ameaça desistir do projeto de reabilitação do antigo Hospital do Desterro, em Lisboa. Estavam a decorrer obras para transformar o edifico num espaço polivalente com alojamento, zonas para trabalho e eventos culturais, mas a sociedade de investimento já pediu para suspender, temporariamente, as rendas do imóvel, um pedido que foi, no entanto, recusado.

A presidente da junta de freguesia de Arroios lamenta que possa estar à vista a suspensão de um projeto muito importante para esta zona de Lisboa. "É uma mais-valia para a Almirante Reis que, neste momento, está a ser reestruturada", diz, destacando a importância do projeto para a freguesia, com a recuperação de um espaço importante de Arroios para fins culturais.

A Mainside, sociedade de investimento - que detém vários projetos imobiliários na capital, como o LX Factory - pediu à ESTAMO para suspender temporariamente as rendas do imóvel devido ao impacto económico da Covid-19. O pedido foi recusado pela empresa imobiliária do Estado.

De acordo com a Mainside, a ESTAMO entende que a pandemia não pode ser enquadrada no conceito de alteração anormal das circunstâncias, por isso convidou o grupo a rescindir o contrato, assinado há dois anos.

José Queirós Carvalho, presidente da Mainside, diz que até agora a empresa cumpriu com todas as suas obrigações e que nunca falhou o pagamento de 25 mil euros mensais de renda. Agora, referem, não é possível continuar a pagar.

Do total de 5 milhões de euros previstos pela Mainside para a reabilitação do antigo Hospital do Desterro, 2 milhões já foram gastos em obras. O presidente da empresa, José Queirós Carvalho, não entende, por isso, a posição da ESTAMO, de deixar cair este investimento. "Para nós nunca foi negócio. É um investimento. Estamos a deixar de fazer um projeto que achamos incrível. A ESTAMO é que deveria estar atrás de nós a pedir para continuarmos a investir."

A Mainside garante ainda que já falou com o presidente da Câmara Municipal de Lisboa, Fernando Medina, que manifestou o seu apoio à empresa, mas também não escondeu que, neste caso, pouco ou nada pode fazer. "O presidente da câmara e o vereador passaram a mensagem de que estão connosco. Por muito boa-vontade que tenham demonstrado em participar, classificando o projeto como de interesse público municipal, senti que estão incapacitados de fazer o que quer que seja."

Questionada pela TSF, para confirmar os termos das declarações do grupo Mainside, a ESTAMO enviou uma breve nota em que refere que "não discute publicamente os contratos de arrendamento que mantém com os seus inquilinos". Informou ainda que foi concedida a moratória prevista no diploma legal de adiamento do pagamento de rendas a todos os inquilinos que o solicitaram.

Outras Notícias

Outros Conteúdos GMG

Patrocinado

Apoio de