Surto confirmado em fábrica de Matosinhos

Denúncia feita pelos trabalhadores da conserveira aponta que "o número de casos confirmados é já superior a 30". Administrador afirma que estão confirmados apenas 11 casos.

O SINTAB, sindicato que representa trabalhadores da indústria da alimentação, denunciou esta segunda-feira um surto com mais de 30 casos de Covid-19 na fábrica da Ramirez, em Matosinhos, sem que tenham sido "promovidas medidas de contenção". Já o administrador da fábrica de Conservas Ramirez, em Matosinhos, afirmou que estão confirmados 11 casos de Covid-19 na conserveira e que o surto teve origem num jantar "entre alguns funcionários e pessoas externas".

O dirigente sindical José Eduardo Andrade revela quando teve conhecimento do número de casos.

"Na semana passada tivemos conhecimento dos primeiros 12 casos, o que já constituiria preocupação, e durante o dia de hoje vários trabalhadores nos foram telefonando para ver se tínhamos conhecimento de que o número de casos tinha ultrapassado os 30. Já estamos a falar de mais de 30 casos positivos na fábrica da Ramirez, em Matosinhos", explicou à TSF José Eduardo Andrade.

O responsável afirmou que o surto começou no dia-a-dia, mas pode ter sido agravado por um jantar de Natal e estranha a indiferença das autoridades e da administração da empresa.

"Há duas semanas, os trabalhadores, mesmo já tendo conhecimento do início do surto, tiveram um jantar de Natal onde até estiveram presentes altos dirigentes da empresa, o que fez com que na segunda-feira seguinte ou durante o fim de semana aparecessem estes 12 primeiros casos. O que estranhamos é que, durante esta semana, algumas pessoas estavam em casa porque tinham testado positivo e não houve, nem da parte das autoridades nem da parte da empresa, a preocupação de fazer a contenção do contágio. As pessoas que tiveram contactos diretos deveriam ter feito o seu recolhimento profilático e não o fizeram", acrescentou o dirigente sindical.

A estrutura regional deste sindicato refere ainda que "só hoje, com a anulação dos testes rápidos que a empresa ia fazer, e com o agendamento para amanhã de uma iniciativa de testagem universal com testes PCR, é que se identifica uma intervenção coordenada das autoridades de saúde".

"Esta é a evidência da gestão economicista que o SINTAB tem vindo a denunciar desde o início da crise pandémica, em que a segurança e a saúde dos trabalhadores tem sido sempre colocada em segundo plano, em todo o setor da alimentação que, fruto dos confinamentos, tem assistido a um aumento considerável das encomendas, maioritariamente nas massas alimentícias e conservas, inerente ao grande crescimento do consumo doméstico", remata o sindicato.

A Covid-19 provocou pelo menos 5.304.397 mortes em todo o mundo, entre mais de 269 milhões de infeções pelo novo coronavírus registadas desde o início da pandemia, segundo o mais recente balanço da agência France-Presse.

Em Portugal, desde março de 2020, morreram 18.673 pessoas e foram contabilizados 1.196.602 casos de infeção, segundo dados da Direção-Geral da Saúde.

A doença respiratória é provocada pelo coronavírus SARS-CoV-2, detetado no final de 2019 em Wuhan, cidade do centro da China, e atualmente com variantes identificadas em vários países.

Uma nova variante, a Ómicron, classificada como "preocupante" pela Organização Mundial da Saúde (OMS), foi detetada na África Austral, mas desde que as autoridades sanitárias sul-africanas deram o alerta, a 24 de novembro, foram notificadas infeções em pelo menos 57 países de todos os continentes, incluindo Portugal.

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