Suspeito de ser cabecilha no caso Tancos recusa falar. Quer acesso a ações encobertas da PJ

À saída o advogado Carlos Melo Alves explicou que o arguido decidiu adiar o depoimento porque a defesa ainda não teve acesso ao teor de duas ações encobertas que terão sido montadas pela Polícia Judiciária para recuperar as armas.

No caso de Tancos, aquele que é apontado como cabecilha do roubo das armas recusou prestar declarações ao juiz de instrução.

Na sessão desta manhã, no tribunal de Monsanto, João Paulino remeteu-se ao silêncio perante o juiz Carlos Alexandre. À saída o advogado Carlos Melo Alves explicou que o arguido decidiu adiar o depoimento porque a defesa ainda não teve acesso ao teor de duas ações encobertas que terão sido montadas pela Polícia Judiciária para recuperar as armas.

O advogado de João Paulino, arguido no caso de Tancos, justificou esta quarta-feira o silêncio do seu cliente na instrução do processo com o facto de ainda não ter tido acesso às ações encobertas realizadas pela Polícia Judiciária (PJ) na investigação.

À saída do Tribunal do Monsanto, onde decorre a instrução do processo de Tancos, dirigida pelo juiz Carlos Alexandre, Melo Alves explicou que o seu constituinte optou, para já, por não prestar declarações, uma vez que houve duas ações encobertas efetuadas pela PJ e que a defesa "quer ter acesso" ao teor dessas ações", da mesma forma como o Ministério Público (MP) já teve, para "[João Paulino] se poder defender".

O advogado de João Paulino, apontado com um dos cabecilhas do roubo das armas nos paióis de Tancos, referiu que o processo penal depois da acusação "deve ser aberto", mas que, neste caso, "o jogo não tem sido igual para o MP e para a defesa".

Questionado sobre se suspeita que possa ter havido alguma ilegalidade nas ações encobertas montadas pela PJ, Melo Alves ironizou, dizendo que "as ações encobertas são como os melões, que só depois de abertos é que se sabe".

Uma vez que a defesa ainda não teve acesso aos documentos relacionados com estas ações encobertas, conforme adiantou o Expresso, e que o Ministério Público ainda tem de se pronunciar sobre a recusa de Carlos Alexandre em permitir a consulta desse "apenso confidencial", João Paulino optou por se meter ao silêncio.

Pelas 09h50, vários advogados saíam do tribunal em virtude da diligência ter sido dada como terminada.

O processo de Tancos tem 23 pessoas acusadas, entre as quais o ex-ministro Azeredo Lopes, que se demitiu do cargo em outubro de 2018 na sequência das revelações e da polémica em torno do caso.

Aos arguidos são imputados crimes como terrorismo, associação criminosa, denegação de justiça, prevaricação, falsificação de documentos, tráfico de influência, abuso de poder, recetação e detenção de arma proibida

Invocando a sua experiência nos tribunais como advogado de defesa, Melo Alves lembrou que têm ocorrido muitas ações encobertas em que há ilegalidades e que, às vezes, não se prendem unicamente com o facto de haver um agente provocador (o que é ilegal), mas também com outro tipo de ilegalidades.

Por tudo isto, o advogado diz que quer "saber o que andaram a fazer nas ações encobertas", observando que este tipo de ação é "um meio intrusivo" que foi utilizado durante meses na investigação do caso de Tancos.

Segundo avançou o advogado, as ações encobertas em causa, do que é do seu conhecimento, foram instauradas já após o furto das armas de Tancos.

Melo Alves aproveitou para criticar a lei que prevê as ações encobertas, alegando que esta "está mal feita".

O advogado aludia a ações encobertas que, segundo fontes ligadas ao processo, envolveram o arguido Paulo Lemos (conhecido por Fechaduras), também envolvido no furto das armas e que terá colaborado com a PJ para deslindar este caso, que envolve também uma alegada encenação na recuperação do material furtado.

Apesar do silêncio de João Paulino na sessão desta quarta-feira, que durou breves minutos, Melo Alves garantiu que o seu constituinte quer "esclarecer a verdade".

"Irá esclarecer tudo aquilo que se passou, mas antes quer ter acesso [ao teor das] ações encobertas, a que o MP já teve acesso" nos autos, disse.

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