Cartas e encomendas são entregues com muito atraso e o volume de trabalho acumula-se por falta de profissionais
CTT

"Tem de se fazer escolhas nas cartas, não se consegue entregar tudo"

As queixas avolumam-se e os carteiros lamentam a degradação do serviço postal dos CTT. Nos últimos anos, 'José' - nome fictício pelo qual prefere ser identificado - tem visto a empresa para a qual trabalha há três décadas piorar o serviço. "Giros" que são mudados aos carteiros constantemente, cartas e encomendas entregues com muito atraso e volume de trabalho que se acumula por falta de profissionais são apenas algumas das queixas.

Entre as principais queixas estão as constantes mudanças nas voltas dos carteiros. "Hoje vamos para um sítio, amanhã vamos para outro", lamenta. E como o correio não consegue ser entregue num só dia, acumula-se. "Temos de fazer escolhas", explica 'José'. Garante que opta por nunca deixar de entregar as reformas aos idosos mais necessitados, mas também "correio azul, verde, cartas registadas com RH e correio expresso". E, neste último caso, porque, segundo este carteiro, as chefias dão ordens expressas para que os registos e o correio expresso sejam entregue em primeiro lugar. "Porque as pessoas, através do telemóvel, conseguem rastrear no site dos CTT", explica.

Os "giros" dos carteiros também têm aumentado e fazem agora áreas muito maiores. José admite que pode muito bem acontecer que os avisos de encomendas sejam deixados na caixa de correio, mesmo que as pessoas estejam em casa. "Mesmo que se queira, é impossível levar tudo". "Opta-se por levar logo os avisos daqueles [pacotes] que são mais volumosos", garante.

Este carteiro subscreve as razões para as reclamações dos utentes. Testemunha que há mesmo quem já se dirija aos próprios centros de distribuição postal para ir buscar cartas ou encomendas que tardam. "Hoje foi lá uma senhora que há um mês que não recebia correio, um mês!", exclama.

Com tristeza, deixa o lamento por uma empresa que conhece há 30 anos. "Isto está perdido e, em minha opinião, só tem tendência a piorar."

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