"Tem de ser na base da denúncia." Polícia admite dificuldade de fiscalizar eventos familiares

A Associação Sindical dos Profissionais da Polícia garante que será uma tarefa "complexa" fiscalizar e intervir em todos os eventos familiares que reúnam mais de dez pessoas, e acredita que é preciso clarificar as normas e aumentar o efetivo.

A polícia diz precisar de clarificação para poder atuar e fiscalizar eventos familiares como batizados e casamentos com mais de dez pessoas. As novas regras preveem que os rastreios laboratoriais "devem" ser feitos "nos eventos de natureza familiar, designadamente festas de casamento, batizados e aniversários, bem como quaisquer outras celebrações similares, com reunião de pessoas fora do agregado familiar, aos profissionais e participantes, sempre que o número de participantes seja superior 10".

Paulo Santos, dirigente da Associação Sindical dos Profissionais da Polícia, não esconde que será difícil fiscalizar festas mais particulares nestas circunstâncias de "enquadramento familiar", em que há "diversos quadros familiares, muitas vezes em locais reservados ou particulares ou privados".

"Tem de ser na base da denúncia, e essa atuação vai ser cada vez mais complexa se o normativo que sai cá para fora não estabelece as regras bem claras e objetivas, para que os polícias possam intervir nesse tipo de cenário", alerta o representante da Associação Sindical dos Profissionais da Polícia.

Paulo Santos ainda não consultou o diploma com atenção, mas as regras de interferência policial não lhe parecem claras."Não diria que é uma missão impossível, mas certamente, para darmos cumprimento à missão de forma cabal, será necessário pôr-se efetivo e uma planificação clara do que é possível fazer", defende.

Para fiscalizar as regras da DGS, serão necessários também mais agentes, de acordo com o presidente da ASPP. Paulo Santos lamenta que essa realidade não seja levada em conta quando são emitidas estas normas contra a pandemia. "Este quadro de pandemia e este tipo de regras e normas que são aplicadas muitas vezes não têm em conta aquilo que é a realidade do efetivo policial."

"Vamos fazer o trabalho que está ao nosso alcance", garante, no entanto.

"A quem é que os testes têm de ser apresentados? Na igreja?"

As empresas do setor dos casamentos também criticam a norma da DGS, publicada nas últimas horas e que dita que os casamentos, batizados e festas de aniversário com mais de dez pessoas impliquem a testagem à Covid-19 dos que participem e não pertençam ao mesmo agregado familiar. António Brito, presidente do movimento que reúne as empresas que organizam festas de casamento, considera que falta clareza na norma agora anunciada: "Não basta só dizer que é recomendado que sejam feitos testes, mas a questão está também em quem é que os controla e quem vai fazer de agente de saúde e de fiscalização."

"A quem é que os testes têm de ser apresentados? Na igreja? É na conservatória, se o casamento for na conservatória? É na quinta, no restaurante ou no hospital?" António Brito questiona ainda se as pessoas vacinadas também têm de fazer os testes.

* Atualizado às 12h07

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