"Nada disto faz sentido." Especialistas portugueses não compreendem decisão britânica

Epidemiologista Manuel Carmo Gomes considera que é mesmo irónico que esta decisão britânica surja depois daquilo a que se assistiu no Porto, na final da Liga dos Campeões.

O epidemiologista Manuel Carmo Gomes considera que há um nível de arbitrariedade na forma como o Governo de Londres classifica os países de risco porque, objetivamente, não vê motivo para esta alteração.

"Os britânicos têm um conjunto de regras para pôr os países dentro ou for a das listas verdes que têm um grau de arbitrariedade e até de subjetivismo ou outros critérios que não a epidemiologia. Eles têm em atenção as taxas de infeção dos países e, de facto, temos aumentado a nossa incidência. Até aí tudo bem, embora a nossa incidência não seja assim tão alta, é até inferior à do Reino Unido. Confesso que ainda não ouvi falar desta variante nepalesa", explicou à TSF Manuel Carmo Gomes.

O especialista considera que é mesmo irónico que esta decisão britânica surja depois daquilo a que se assistiu no Porto, na final da Liga dos Campeões.

"Não me parece que faça sentido esta medida que o Reino Unido tomou. Não há muito tempo mandaram-nos para cá um conjunto de hooligans que criaram uma situação que todos nós conhecemos, lá em cima no Norte. Agora os hooligans regressaram ao território deles e tiram-nos da lista verde. Nada disto faz sentido", considera o epidemiologista.

Manuel Carmo Gomes sublinha que, além disso, esta forma de agir, mais política e menos científica, gera também muita incerteza.

"Esta decisão que tomaram tem uma componente política que, para mim, é muito difícil de interpretar, não vejo justificação. Isto é um bocado aborrecido porque cria-nos uma incerteza, por exemplo, em termos de planeamento hoteleiro e turístico. Se tomam medidas destas sem que compreendamos a lógica racional, as coisas tornam-se difíceis de planear", afirmou Manuel Carmo Gomes.

Também o virologista Pedro Simas estranha a mutação referida pelo governo britânico.

"Não sei o que é a mutação nepalesa, sei é que a variante indiana tem agora dados epidemiológicos muito robustos, indicam que tem uma maior eficiência de disseminação do que a variante britânica e vai dominar, mas aumenta numa população que está protegida por vacinação e tem um nível de imunidade muito alto. Não é expectável que as variantes derrubem o muro de imunidade protetora porque nunca o fizeram no passado com os outros coronavírus. Nem para o vírus da gripe, que é sazonal, aparecem variantes que derrubem a imunidade de grupo", ressalva Pedro Simas.

O ministro dos Transportes britânico, Grant Shapps, confirmou esta quinta-feira à tarde que Portugal vai sair da "lista verde" de viagens internacionais do Governo britânico, devido à descoberta de novas variantes e ao aumento do número de infeções nas últimas semanas.

Numa entrevista transmitida na estação de televisão Sky News, o ministro diz que foi uma "decisão difícil de tomar", invocando duas principais razões que estão a causar preocupação junto das autoridades britânicas.

"Uma é que a taxa de positividade quase duplicou desde a última revisão em Portugal e a outra é que há uma espécie de mutação do Nepal da chamada variante indiana que foi detetada e simplesmente não sabemos o potencial que pode ter para resistir à vacina", explicou.

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