Teorias da conspiração sobre a vacina virão da "simpática vizinha", da família ou do Facebook

Constantino Sakellarides, antigo diretor-geral da Saúde, alerta os portugueses para que confrontem fontes e consultem informação credível. O especialista em Saúde Pública não tem dúvidas de que a vacina contra a Covid-19 foi conseguida com todo o rigor.

O antigo diretor-geral da Saúde Constantino Sakellarides pede aos portugueses para prestarem atenção à proveniência das informações que circulam sobre as vacinas contra a Covid-19.

Ouvido no Fórum da TSF, o também professor jubilado da Escola Nacional de Saúde Pública defende que a confiança vai ser essencial em todo o processo. "Para aceitarmos sermos vacinados, sem resistências não razoáveis, temos de ter, de facto, confiança nesta vacina", reconhece Constantino Sakellarides.

O antigo dirigente da DGS sublinha que é importante "entender" que este é "um produto licenciado" e que esse "licenciamento é feito através de um processo muito rigoroso por um regulador credenciado, independente de outros interesses e tecnicamente competente para o efeito". A Agência Europeia do Medicamento articula-se de várias formas com o Infarmed, e a "informação de confiança sobre tudo o que diz respeito à vacina" provém dessa fonte, explica Constantino Sakellarides.

A par da informação credível, alastrará também a desinformação, pelo que se impõe a necessidade de "comparar estas fontes não credíveis, não competentes, de informação nesta matéria com aquela que é a fonte licenciada, competente, rigorosa, que é o Infarmed".

"Vai circular, durante os próximos meses, toda a espécie de boatos, teorias da conspiração. Será a minha simpática vizinha, ou uma pessoa da minha família, ou pelo Facebook ou naqueles grupos ativistas contra tudo... Serão fontes que vão gerar constantemente boatos e teorias contra a vacina", alerta o investigador.

O antigo diretor-geral de Saúde e especialista em Saúde Pública também lembra que a decisão de se ser vacinado ou não afeta muita gente, e não tem apenas consequências individuais. "Se nós perdermos de vista esta regra de credibilidade, esta regra de confiança, se formos pela maré do diz-que-diz, vamos corroer a nossa confiança na vacina", o que tem implicações "importantes", desde logo porque, salienta o antigo DGS, "quando eu vacino não me protejo só a mim, protejo quem me rodeia".

Constantino Sakellarides lembra o conceito da imunidade de grupo: "Se eu estiver rodeado de pessoas vacinadas, a probabilidade de eu me infetar é muito menor."

A preparação para a chegada de uma vacina também implica saber que não será uma prevenção milagrosa. "A vacina tem efeitos colaterais, que não são graves mas não são muito simpáticos por vezes". Os efeitos no organismo fazem "parte da nossa reação orgânica a uma vacina", salienta o antigo DGS. Outro aspeto a considerar é que, só um mês depois da primeira dose da vacina da Pfizer (duas semanas depois da segunda dose), é que as pessoas podem considerar-se protegidas.

LEIA AQUI TUDO SOBRE O CORONAVÍRUS

Recomendadas

Outros Conteúdos GMG

Patrocinado

Apoio de