Territórios do Côa criam rota de turismo literário inspirada em obra de Saramago

O projeto deverá estar finalizado daqui a dois anos.

A Associação de Desenvolvimento Regional Territórios do Côa, com sede em Almeida, no distrito da Guarda, vai desenvolver uma rota turístico-literária inspirada na obra de José Saramago "Viagem do Elefante".

"O trabalho, a desenvolver em dois anos, visa estruturar uma oferta ao nível do Turismo Literário, produto em crescimento no contexto contemporâneo, catalisando fluxos e dinâmicas de valor acrescentado para a valorização e promoção da Cultura na região Centro, em particular, em contexto territorial de baixa densidade e com especial incidência na Beira Interior", segundo a coordenadora da associação, Dulcineia Catarina Moura.

Em comunicado esta sexta-feira enviado à agência Lusa, a responsável admite "tratar-se de um investimento na diferenciação e qualificação dos territórios do interior assente na salvaguarda e valorização do património cultural, potencializando turisticamente a inspiração, a obra e a experiência de Saramago, envolvendo e estimulando à participação de uma rede de agentes públicos e privados que evidenciem o potencial deste produto cultural".

"A constituição de uma oferta qualificada e organizada em Turismo Literário, tal qual se pretende através desta Rota 'Viagem do Elefante', mune-se de um plano de ação devidamente estruturado e fundamentado, que incide sobre toda a cadeia de valor para atingir o nível de desenvolvimento turístico e cultural desejado", acrescenta.

À TSF, a coordenadora da associação, Dulcineia Moura explica que o objetivo é valorizar o património e a cultura daquela região. "Quisemos inovar de alguma forma, criando aquilo que é uma rota inspirada na obra do nosso Nobel, José Saramago", refere, acrescentando que "é uma rota turística literária, sustentada precisamente na obra mas que terá um cariz muito inovador, alicerçado na tecnologia".

O projeto está agora a dar os primeiros passos e deve estar no terreno em 2023. Dulcineia Moura adianta que o projeto está a ser calendarizado através de um conjunto de etapas, sendo "imprescindível, nesta primeira fase, o envolvimento dos municípios da Beira Interior".

A coordenadora da associação acredita que daqui a dois anos "estará em perfeitas condições para apresentar a rota devidamente construída e já capaz também de atrair turistas e visitantes".

Segundo Dulcineia Catarina Moura, são parceiros do projeto os municípios do Fundão, Belmonte, Sabugal, Pinhel e Figueira de Castelo Rodrigo, sendo que "a parceria e o envolvimento destes municípios é formalizada através de protocolo entre as entidades".

A associação Territórios do Côa conta ainda com o "importante envolvimento da Direção Regional de Cultura do Centro, que prontamente se associou e manifestou o interesse em colaborar no desenvolvimento e promoção do projeto", acrescenta.

O município de Lisboa e a Fundação José Saramago são também "parceiros consultores" e o seu apoio "estará consubstanciado em ações de promoção e comunicação nacional e internacional, quer sejam exclusivas da rota, quer seja da sua integração noutros formatos que permitam alavancar o projeto e o seu interesse para a comunidade".

O projeto é apoiado pela Linha de Apoio à Valorização Turística do Interior.

A Associação de Desenvolvimento Regional Territórios do Côa lembra que "acumula experiência no trabalho e na prossecução de iniciativas associadas à obra de José Saramago, pelo que acredita que esta será também uma oportunidade para a população local reviver momentos tão marcantes e com potencial de atração de turistas e visitantes, bem como um devido impulso à cultura na Beira Interior".

Em 2013 lançou o guia "Caminho de Salomão - Rota Portuguesa no Vale do Côa", que foi inspirado na obra literária de Saramago que traça o périplo da viagem do elefante Salomão pela região do vale do Côa, a caminho de Viena, com passagem por Sortelha (Sabugal), Cidadelhe (Pinhel) e Castelo Rodrigo (Figueira de Castelo Rodrigo).

Devido ao momento atual marcado pela pandemia de Covid-19, a coordenadora da associação considera ser "fundamental promover dinâmicas de retoma e animação, na expectativa de que o território não perca o reconhecimento de destino turístico de elevado interesse".

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