Testes serológicos "não estão recomendados" para tomar decisão sobre 3.ª dose da vacina

Este tipo de testes serve para "estimar a quantidade de pessoas que foram expostas ao vírus e criaram uma resposta protetora".

O professor Luís Graça, membro da Comissão Técnica de Vacinação Covid-19, indicou, esta terça-feira, que "a eficácia das vacinas não pode ser medida com os testes de imunidade". A decisão sobre a necessidade de uma terceira dose [da vacina contra a Covid-19] "tem de ser baseada em dados sobre a proteção das vacinas e não por dados serológicos", explicou o especialista, numa conferência de imprensa de atualização das informações sobre a vacinação dos adolescentes entre os 12 e 15 anos.

Luís Graça sublinhou que "os testes serológicos não estão recomendados para ser a base da decisão sobre a vacinação".

Segundo o especialista, os testes serológicos servem "para estudos científicos para perceber qual a percentagem de pessoas que contactou com o vírus, o que permite estimar a quantidade de pessoas que foram expostas ao vírus e criaram uma resposta protetora".

O terceiro Inquérito Serológico Nacional, promovido pelo Instituto Nacional de Saúde Doutor Ricardo Jorge, vai arrancar em outubro. Ainda antes do fim do ano vai ser possível perceber o impacto da vacinação na população portuguesa.

A segunda fase deste inquérito foi concluída em maio deste ano e alertou para a redução de anticorpos contra o vírus SARS-CoV-2 três meses após a infeção e defende a vacinação em pessoas anteriormente infetadas.

A Direção-Geral da Saúde anunciou, esta terça-feira, alterações às recomendações de vacinação contra a Covid-19 das crianças e adolescentes dos 12 aos 15 anos. Em vez de apenas nos casos em que há comorbilidades, a autoridade de saúde passa agora a recomendar a vacinação de todos os jovens desta faixa etária.

Numa nota enviada à comunicação social e em conferência de imprensa, a DGS informou que, depois de ouvida a Comissão Técnica de Vacinação contra a Covid-19, "recomenda a vacinação de todos os adolescentes de 12-15 anos".

"Esta recomendação, que surge na sequência da análise dos dados de vacinação nestas faixas etárias, nos EUA e na UE, tem um caráter universal, pelo que as vacinas estarão disponíveis para os adolescentes, acompanhado(s) pelo(s) pai(s)/tutor legal, sem necessidade de indicação médica", esclarece a autoridade de saúde.

Graça Freitas adiantou que os mais de 15 milhões de adolescentes vacinados nos Estados Unidos e na União Europeia mostraram que os efeitos secundários graves são muito raros e não foram conhecidos novos alertas de segurança relativamente a esta vacinação.

A Direção-Geral da Saúde só agora decidiu avançar com a vacinação desta faixa etária para ganhar algum tempo para conseguir uma decisão mais consolidada e com menores incertezas.

"Quando fazemos uma recomendação de vacinação é com base na confiança e na convicção de que os benefícios, de facto, superam os riscos. O esquema que está agora em vigor é o de duas doses, que a Agência Europeia de Medicamentos recomendou. Estes 15 milhões de adolescentes que estudámos vão ser vacinados com estas duas doses", sublinhou Graça Freitas.

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