Todas as estações do metro de Lisboa estão fechadas devido à greve

A greve parcial acontece entre as 05h00 e as 09h30 e prevê-se que o serviço seja retomado por volta das 10h15.

A adesão à greve parcial dos trabalhadores do Metropolitano de Lisboa era às 06h45 elevada, encontrando-se todas as estações encerradas, disse à Lusa Anabela Carvalheira, da Federação dos Sindicatos de Transportes e Comunicações (FECTRANS).

Os trabalhadores do Metro de Lisboa cumprem esta terça-feira uma nova greve parcial, entre as 05h00 e as 09h30, dado que as negociações salariais com a empresa têm falhado, prevendo-se que o serviço seja retomado às 10h15.

"Até esta hora [06h45], os trabalhadores que deviam ter entrado ao serviço não entraram. Não temos maquinistas, nem posto de comando central, o que significa que todas as estações estão fechadas. Não há circulação de comboios", disse Anabela Carvalheira.

A sindicalista da FECTRANS indicou que estão apenas a trabalhar cinco funcionários, que estão a cumprir os serviços mínimos.

"Não há trabalhadores a trabalhar à exceção dos que foram definidos pelos serviços mínimos, que são cinco trabalhadores durante este período de greve. Mas estão de greve apesar de estarem a fazer o piquete de segurança", sublinhou.

Na origem da greve estão, segundo Anabela Carvalheira, várias questões que "vão além da matéria salarial", sublinhando a importância do "preenchimento imediato do quadro operacional e as progressões na carreira".

"Em causa está o não aceitar o congelamento salarial, independentemente de no início desta negociação, em janeiro, o conselho de administração ter colocado em cima da mesa um aumento de 10 euros para todos os trabalhadores, que depois não se veio a verificar. Temos questões que nos preocupam muito como a falta de trabalhadores operacionais, quer seja nas áreas operacionais de movimento e da tração, quer seja na manutenção", disse.

A sindicalista disse também que os trabalhadores não concordam com a intenção da empresa em externalizar serviços na área da fiscalização.

"Temos imensas estações desguarnecidas por falta de trabalhadores, o que demonstra uma falha de segurança também para os utentes. Desde 2019 que andamos para resolver o problema relativamente às chefias operacionais para completar os quadros, o que tem motivado por falta de efetivos problemas graves de saúde para os trabalhadores que tentam fazer mais do que um horário de trabalho", contou.

Por todos estes motivos, diz Anabela Carvalheira, há um aumento do descontentamento e os trabalhadores exigem não só aumento salarial, mas também melhores condições de vida e de trabalho de forma a promover a continuidade de um bom serviço publico de transporte.

"Nós temos aprovado pelos trabalhadores este período de lutas, mas não significa que não possamos até lá resolver esta questão assim haja vontade do Governo e do conselho de administração. Estamos disponíveis para em qualquer altura arranjar soluções", concluiu.

"A situação mais gritante é a falta de efetivos"

A FECTRANS, a Federação dos Sindicatos dos Transportes e Comunicações, não adianta números sobre a adesão à greve parcial, mas a sindicalista Anabela Carvalheira destaca os efeitos da paralisação.

"Nesta altura, os trabalhadores operacionais que deviam estar ao serviço, não estão. Não há maquinistas. O posto de comando central está parado. Os trabalhadores das estações não estão a trabalhar e o metro está fechado", adianta em declarações à TSF.

Anabela Carvalheira recorda os motivos do protesto. "Não aceitamos o congelamento salarial. Face àquilo que tem sido o aumento de salário mínimo nacional, nos últimos anos, os trabalhadores do metro perderam 50% do poder de compra", explica, acrescentando que "a situação mais gritante é a falta de efetivos, nomeadamente das chefias".

"Desde 2019, não se consegue completar o quadro e está a ser pedido um esforço quase sobre-humano a esses trabalhadores para conseguirem completar as posições. Estamos a falar de números de 50 a 60 pessoas", sublinha.

A greve ocorre entre as 05h00 e as 09h30, para a generalidade dos trabalhadores, e das 09h30 às 12h30 para o setor administrativo e técnico, de acordo com o sindicato. A paralisação repete-se na quinta-feira.

Está também previsto mais um dia de greve parcial em 02 de novembro e uma greve de 24 horas em 04 de novembro.

Na sua página oficial, o Metropolitano de Lisboa informou que, por motivo de greve convocada pelas organizações sindicais representativas dos trabalhadores, a empresa prevê a paralisação do serviço de transporte das 06h30 às 09h30 e retoma da circulação de comboios a partir das 10h15.

Além destas greves, a comissão intersindical do Metro de Lisboa anunciou que a partir do dia 1 de novembro haverá uma greve ao trabalho extraordinário.

O pré-aviso de greve foi entregue a 6 de outubro "devido à falta de respostas às questões colocadas, quer em reuniões com o ministro do Ambiente, quer com o presidente do ML- Metropolitano de Lisboa", segundo a FECTRANS.

Os trabalhadores do metro realizaram greves parciais ao serviço em maio e junho tendo em conta as mesmas reivindicações apresentadas para a nova paralisação.

O Metropolitano de Lisboa opera com quatro linhas: Amarela (Rato-Odivelas), Verde (Telheiras-Cais do Sodré), Azul (Reboleira-Santa Apolónia) e Vermelha (Aeroporto-São Sebastião), das 06h30 às 01h00 todos os dias.

* Notícia atualizada às 09h20

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