"Tom da reivindicação pode endurecer." Médicos vão decidir se avançam com greve

O presidente da Federação Nacional dos Médicos sublinha à TSF que os médicos têm a necessidade de lutar pelos seus direitos e "a greve é algo que está sempre em cima da mesa". Já o secretário-geral do Sindicato Independente dos Médicos tem dúvidas sobre a proposta do Orçamento do Estado.

Depois dos enfermeiros já terem confirmado que vão fazer uma semana de greve no início de novembro, a Federação Nacional dos Médicos (FNAM), que junta três sindicatos, reúnem-se, esta quarta-feira, e o cenário de greve é uma forte possibilidade.

Noel Carrilho afirma que "é inevitável que o tom da reivindicação endureça". Em declarações à TSF, o presidente da FNAM diz que "a greve é algo, obviamente, que está sempre em cima da mesa".

"Se não surgiram estas medidas até agora foi por uma responsabilidade autoimposta pelos médicos num período difícil do SNS, mas tudo tem o seu tempo e, chegados a esta altura, os médicos acabam por nos transmitir a necessidade de lutar pelos seus direitos", sublinha.

Também ouvido pela TSF, Jorge Roque da Cunha, secretário-geral do Sindicato Independente dos Médicos (SIM), garante que não faltam motivos para o protesto e desconfia da proposta de Orçamento do Estado.

"Temos a maior das dúvidas, porque não aparece em lado nenhum esta necessidade de valorizar quer os locais de trabalho, quer as condições de trabalho, quer os próprios salários, quer mesmo a forma especial de recuperar as listas de espera e a falta de acompanhamento nos centros de saúde, o que naturalmente que nos faz desconfiar desta proposta de Orçamento do Estado", explica.

O secretário-geral do SIM revela ainda uma situação "gravíssima". "Sabendo o Governo que o máximo de trabalho extraordinário que os médicos devem fazer, a bem da sua sanidade mental, para evitar os erros médicos, são as 150 horas, admite horários de trabalho extraordinário superiores a 500 horas por ano", diz, acrescentando que a aposta é "nas empresas de prestação de serviço, na precariedade e também naquilo que é o trabalho extraordinário que os médicos fazem e que já fazem demasiadas horas".

A FNAM considerou na terça-feira que as medidas anunciadas no Orçamento do Estado "não são proporcionais" às necessidades do SNS em termos de médicos e criticou o que está previsto para a remuneração das horas extraordinárias.

Começando por lamentar que os sindicatos não tenham sido ouvidos até ao momento sobre as propostas apresentadas no Orçamento do Estado para 2022, Noel Carrilho afirmou à agência Lusa que "há várias medidas que têm impacto direto no trabalho médico, mas que, infelizmente, são poucas" as que virão a ter "um impacto naquilo que seria desejável".

Para Noel Carrilho, algumas das medidas virão a ser "completamente inconsequentes, porque não estão dirigidas, nem são proporcionais à necessidade que o Serviço Nacional de Saúde apresenta em termos de recursos humanos médicos".

* com Lusa

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