Trabalhadores da GALP querem que Estado assuma posição maioritária na empresa

O coordenador da Comissão Central de trabalhadores da petrolífera aplaude as críticas do primeiro-ministro à GALP, mas lamenta que António Costa não responda à questão que os trabalhadores querem ver respondida.

A Comissão Central de Trabalhadores da Galp insiste que a lição certa é obrigar a empresa a reverter o encerramento da refinaria de Matosinhos e a readmitir os funcionários. Os representantes dos trabalhadores sublinham que não ficaram esclarecidos com o artigo de opinião no qual António Costa reafirma as críticas à Galp pelo processo de encerramento da refinaria. Para esta comissão as lições que devem ser dadas à empresa passam pela utilização justa do Fundo de Transição e pela aplicação da legislação para a proteção dos trabalhadores e pela garantia de que o destino dos terrenos vai ser escolhido com cuidado.

"No essencial, para nós é um não-esclarecimento. Apesar de o senhor primeiro-ministro pretender esclarecer, não esclarece nada, ou pelo menos lança mais confusão sobre o problema", afirma o coordenador da Comissão Central de Trabalhadores da GALP numa primeira reação ao artigo de opinião de António Costa.

Em declarações à TSF, Hélder Guerreiro aplaude as críticas do primeiro-ministro à GALP, mas lamenta que António Costa não responda à questão que os trabalhadores querem ver respondida: O Estado " vai finalmente assumir uma posição maioritária enquanto acionista na GALP"? Só assim, defende o coordenador da Comissão Central de Trabalhadores da GALP, o governo poderia reverter o encerramento da refinaria e os despedimentos.

O desmantelamento da refinaria de Matosinhos já começou, mas Hélder Guerreiro está convencido que ainda é possível reverter o processo. "Há muitas unidades que ainda estão operacionais e que podem ser reativadas num curto espaço de tempo e com um investimento reduzido", assegura.

Quanto ao Fundo de Transição Justa, para a formação dos trabalhadores que perderam o posto de trabalho na refinaria de Matosinhos, a Comissão de Trabalhadores lembra que cabe ao governo apresentar uma proposta à comissão europeia, o que ainda não fez. Hélder Guerreiro, coordenador da Comissão Central de Trabalhadores revela, em declarações à TSF, que foi essa a informação que lhes chegou por parte do gabinete da comissária europeia Elisa Ferreira.

Já o Sindicato das Indústrias Transformadoras acusa o Governo de, tal como a Galp, ter tido insensibilidade e irresponsabilidade no processo de encerramento da refinaria de Matosinhos e defende que a lição certa a dar é reverter o processo e garantir trabalho aos trabalhadores. O sindicalista Miguel Ângelo Pinto fala num crime económico que abala milhares de postos de trabalho.

"São 600 diretos, 1600 indiretos e, pelo estudo realizado pela faculdade de economia recentemente, em toda a área metropolitana chega quase aos sete mil postos de trabalho que vão sofrer com esta rutura. Não é esta a lição que desejávamos que o primeiro-ministro desse à administração da Galp. A lição que o Governo devia dar neste momento era reverter todo este processo usando o interesse nacional", explicou à TSF Miguel Ângelo Pinto.

Depois da leitura do artigo de opinião do primeiro-ministro, Miguel Ângelo Pinto confessa que ficou admirado com o espanto de António Costa e revela que os esclarecimentos do governante não são o que esperavam. Por isso, a luta dos trabalhadores vai continuar.

"Não eram estes os esclarecimentos nem é aquilo pelo qual lutámos e reivindicámos. Por isso mesmo, no dia 24, próxima sexta-feira, vamos fazer uma ação em frente à Câmara Municipal de Matosinhos, mais uma das muitas que temos vindo a fazer. O primeiro-ministro fala que muita tinta tem feito correr a intervenção dele e é claro que sim. O que esperava alguém que se manteve durante quase nove meses calado e agora tem esta intervenção?", acrescentou o sindicalista.

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