Sindicatos de bancários em greve esta sexta-feira contra despedimentos no BCP e Santander

Esta é uma ação de luta inédita que já não acontecia há 33 anos, quando aconteceu a última greve nacional dos trabalhadores bancários.

Os trabalhadores do BCP e do Santander estão esta sexta-feira em greve contra os despedimentos nas duas instituições, na primeira greve nacional dos trabalhadores bancários desde 1988.

Depois de, em setembro, o BCP e o Santander Totta terem confirmado que iam avançar com despedimentos coletivos (uma vez que não conseguiram que o número de trabalhadores pretendido saísse por acordo), todos os sindicatos de bancários convocaram a greve.

Esta é uma ação de luta inédita que já não acontecia há 33 anos, quando aconteceu a última greve nacional dos trabalhadores bancários (então por melhores salários e recusa da integração no regime geral da Segurança Social), disseram à Lusa fontes sindicais.

Em declarações à TSF, Paulo Marcos, presidente do Sindicato Nacional dos Quadros e Técnicos Bancários, explica os motivos desta paralisação, inédita no setor bancário português.

"O que nós protestamos é contra os processos de despedimento coletivo porque são, pela sua génese, unilaterais, não consensuais e achamos que nos dois bancos em causa, entidades bem geridas, muito eficientes e lucrativas, nada justifica estes processos", diz.

Paulo Marcos diz que se trata de mais um grito de alerta geral.

"Nós tivemos reuniões com os bancos, sensibilizámos a opinião pública, reunimos com o senhor Presidente da Pública, com a ministra do Trabalho, com o ministro da Economia, fomos ao parlamento, às comissões, à comunicação social, fizemos manifestações, fizemos um conjunto de ações para chamar à atenção", refere, sublinhando que "este é o último grito em que dizemos à sociedade civil: 'atenção, que estas entidades com estes processos musculados e unilaterais revelam uma particular insensibilidade social e estes processos afetam especialmente pessoas com mais experiência, em idades mais maduras, cuja dificuldade de recolocação profissional é mais evidente num país como o nosso'".

Os principais bancos a operar em Portugal têm estado este ano a fazer processos de reestruturação, que passam nomeadamente pela saída de milhares de trabalhadores. BCP e Santander Totta têm os processos mais 'agressivos', com despedimentos coletivos.

O BCP anunciou que vai fazer um despedimento coletivo de 62 trabalhadores. Quanto a outras saídas, o banco chegou a acordo com cerca 700 trabalhadores para saírem por rescisão por mútuo acordo, reforma antecipada e pré-reforma.

Já o Santander Totta pretende a saída de 685 trabalhadores. Fonte oficial do banco disse à Lusa, há três semanas, que já foi acordada a saída com mais de 400 trabalhadores (reformas antecipadas e rescisões por mútuo acordo). A mesma fonte refere que o banco continua a querer chegar a um acordo trabalhadores que evite o despedimento.

Mais de 200 trabalhadores do Santander Totta foram contactados para serem abrangidos por despedimento coletivo, segundo informações recolhidos pela Lusa.

Nos dois bancos, estão já em curso os processos de despedimento coletivo, nesta fase com reuniões entre o banco, as comissões de trabalhadores e a Direção-Geral do Emprego e das Relações de Trabalho (DGERT).

Nos últimos meses, os sindicatos têm vindo a acusar os bancos de repressão laboral e de chantagem para com os trabalhadores, considerando que os forçam a aceitar sair por rescisões (sem acesso a subsídio de desemprego) ou por reformas antecipadas. Isto ao mesmo tempo que têm elevados lucros, acrescentam.

O BCP teve lucros de 12,3 milhões de euros no primeiro semestre (menos 84% do que no mesmo período de 2020) e o Santander Totta 81,4 milhões de euros (menos 52,9%).

Os sindicatos pediram também a intervenção de Governo e Presidente da República.

Hoje de manhã, a marcar a greve, haverá concentrações de trabalhadores bancários no Porto e em Lisboa.

Contactadas pela Lusa, fontes sindicais consideram que a greve de hoje é um "ato de coragem", sobretudo num setor em que as greves são esporádicas, mas que a adesão é uma incógnita devido ao clima de pressão que se vive no interior dos bancos e receios de que novos processos de despedimento aconteçam de futuro.

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