Trabalho está a 26 quilómetros, mas faz 150 porque a fronteira fechou

Os trabalhadores queixam-se que as despesas com combustíveis aumentaram.

Dia 16 de março mudou a vida a Rui Moreira. As fronteiras eram repostas e este morador de Barrancos passou a ficar a 150 quilómetros da oficina onde trabalha, na localidade espanhola de Higuera la Real, por estradas degradadas. Com a fronteira aberta estaria a apenas 26 quilómetros do emprego.

"Andamos quase há três meses nisto. É cansativo e muito caro, porque gastamos um depósito e meio por semana", lamenta este mecânico. Não admira que tenha aplaudido a hipótese admitida esta sexta-feira pelo ministro de Administração Interna, Eduardo Cabrita, relativa à abertura da fronteira entre Barrancos e Encinasola para breve. "As pessoas fazem quase 300 quilómetros por dia quando com a fronteira aberta estariam a escassos dez minutos do emprego", diz.

Barrancos tem cerca de 20 habitantes em situação semelhante. A maioria trabalha nos campos rurais de Encinasola, mas para lá chegarem estão todos obrigados a percorrerem o longo desvio pela fronteira de Vila Verde de Ficalho. As despesas com combustíveis dispararam, até porque só é permitida uma pessoa por viatura.

Argumentos que levaram a câmara a fazer uma exposição ao Governo, reclamando a abertura da fronteira durante algumas horas diárias.

O presidente da Junta, Domingos Mondragão, testemunha que a luta tem sido intensa para garantir a circulação de viaturas."A fronteira faz muita falta, porque as pessoas têm que trabalhar e está tudo cansado desta situação. Agora a vida vai voltar a ser mais fácil para nós", admite, sem receio de ver aumentar o risco da propagação da pandemia. "Se os nossos trabalhadores vão e vêm todos os dias, o risco será o mesmo", sublinha.

O próprio presidente do município de Encinasola, Angel Mendez, assume estar disponível para abrir a fronteira do lado espanhol, viabilizando a circulação de viaturas durante duas horas de manhã e outras duas ao fim da tarde.

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