"Trabalho de anos perdido em meses." O desespero da mãe de um jovem deficiente sem transporte para a escola

Joaquina Teixeira tem um filho com síndrome de Angelman. A condição obriga o jovem de 17 anos a ter terapia ocupacional e da fala, e, em seis meses, já é notório o retrocesso.

Gonçalo, de 17 anos, precisa de ajuda para tudo, desde comer até simples idas à casa de banho. O filho de Joaquina Teixeira tem síndrome de Angelman, uma doença genética que afeta a fala e o equilíbrio, e que pode potenciar a epilepsia e o estrabismo.

Há seis meses em casa, o jovem perdeu muitas competências, de acordo com Joaquina Teixeira. "Ele teve imensas alterações, ficou muito mais agressivo em termos comportamentais, sendo que ele até é uma criança dócil e meiga. Algumas competências que tinha, e que eram trabalhadas, na terapia da fala e ocupacional e fisioterapia, foram perdidas, e estamos a tentar recuperar."

Quando as aulas presenciais foram retomadas, a mãe desesperou porque Gonçalo não tem transporte para ir à escola. "Ainda está a decorrer o concurso público para depois poderem adjudicar o transporte para os alunos. Sabemos o tempo que leva... Daqui a 15 dias ou um mês, a situação não vai estar resolvida, exceto se fizerem ajustes diretos."

A mãe de Gonçalo confessa que está cansada, e tudo se complica com a Covid-19. "A pandemia veio agravar, mas estou irritada com a desculpa da pandemia. Não pode ser desculpa para tudo, porque este não é o primeiro ano em que isto acontece."

O ensino à distância não funciona para os alunos com deficiência, e o tempo perdido tem efeitos dramáticos. "Estamos a falar de seis meses, e todo o trabalho que se faz com estas crianças e jovens, que demora meses e anos a conseguir, é perdido em poucos meses, com consequências muito drásticas."

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