Trabalho voluntário. Tradutores sem mãos a medir ajudam ucranianos com documentação

Dos 600 tradutores e intérpretes da Associação de Profissionais de Tradução e de Interpretação, apenas 20 trabalham as línguas ucraniana e russa. O volume de pedidos de ajuda tem sido gigante desde o início da guerra.

A Associação de Profissionais de Tradução e de Interpretação quer que a plataforma digital criada pelo Governo para ajudar os refugiados ucranianos passe a incluir informação sobre os tradutores disponíveis em Portugal.

Dos 600 tradutores e intérpretes desta associação, apenas 20 trabalham as línguas ucraniana e russa. O volume de trabalho está a deixar os tradutores sem mãos a medir - um trabalho que tem sido voluntário e gratuito, desde o início da guerra na Ucrânia. Até as Ordens dos Advogados e dos Notários já pediram ajuda à associação, para traduzir os documentos dos refugiados ucranianos.

Paula Ribeiro, presidente da Associação de Profissionais de Tradução e de Interpretação, conta que os tradutores estão a trabalhar sem parar "desde o início da guerra".

A presidente da associação acredita que os tradutores conseguirão dar resposta à procura de ajuda, mas deixa ao Governo a sugestão de, na plataforma do Governo de apoio aos refugiados ucranianos, "incluir voluntários tradutores que as pessoas possam diretamente contactar".

Os profissionais de tradução e interpretação em Portugal ajudam os refugiados ucranianos que chegam ao país, mas também têm de responder aos pedidos vindos de outras nações.

Há pessoas "que vivem fora, por exemplo, na Suíça, e que recebem refugiados lá que precisam de traduções de documentos", refere Halyna Zhuravel, que é tradutora de alemão e francês, mas além de português, fala também ucraniano e russo, as suas duas línguas maternas. "Gosto das duas. Tudo o que é cultura eu não misturo com política", assegura.

Halyna veio para Portugal, com os pais, há mais de dez anos, mas a restante família restante continua na Ucrânia. A jovem tradutora de 23 anos não esconde as emoções, perante o conflito vivido na sua terra natal.

"Estou a tentar combater um sentimento muito forte dentro de mim, que é o sentimento de ódio, de raiva,... Ando muito irritada. Até mesmo uma pergunta tão simples como "estás bem?" me irrita. Logicamente que não estou bem. Ninguém do meu povo está bem", explica Halyna, que sente que a sua família, neste momento, são "os 40 milhões de pessoas que vivem na Ucrânia".

A presidente da Associação de Profissionais de Tradução e de Interpretação nota que traduzir e interpretar, perante as atuais circunstâncias, nem sempre é fácil, para quem tem laços com a Ucrânia. É "bastante difícil alguém ter sangue e cabeça fria. Muitas vezes, é muito difícil enquanto intérprete e enquanto tradutor manter a imparcialidade."

A Rússia lançou em 24 de fevereiro uma ofensiva militar na Ucrânia que já causou pelo menos 564 mortos e mais de 982 feridos entre a população civil e provocou a fuga de cerca de 4,5 milhões de pessoas, entre as quais 2,5 milhões para os países vizinhos, segundo os mais recentes dados da ONU.

A invasão russa foi condenada pela generalidade da comunidade internacional que respondeu com o envio de armamento para a Ucrânia e o reforço de sanções económicas a Moscovo.

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