Tratamentos de radioterapia em risco no IPO de Lisboa
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Tratamentos de radioterapia em risco no IPO de Lisboa

A falta de profissionais pode levar à paragem de alguns aparelhos de radioterapia no Instituto Português de Oncologia de Lisboa. No ano passado, 1260 doentes tiveram de ser encaminhados para o sector privado.

O Instituto Português de Oncologia (IPO) de Lisboa tem sete aceleradores lineares, aparelhos altamente sofisticados usados nos tratamentos de radioterapia. A complexidade destes aparelhos exige a presença de físicos médicos, profissionais especializados que escasseiam no IPO de Lisboa.

No início do passado mês de Junho, a TSF avançou que o IPO de Lisboa tinha perdido 50 profissionais de saúde, com o fim do estado de emergência.

Perante este alerta da TSF, o Governo prometeu ser rápido a avaliar os pedidos de contratação, mas mais de um mês e meio depois, o processo pouco avançou.

Em resposta a um pedido da TSF, o IPO de Lisboa revela que foi autorizada a contratação de 20 médicos.

O Ministério da Saúde comprometeu-se também com a contratação de 36 enfermeiros, 26 assistentes operacionais, quatro físicos médicos e 12 técnicos superiores de diagnóstico e terapêutica, mas o Ministério das Finanças ainda não autorizou a contratação destes 78 profissionais de saúde.

Na resposta à TSF, o IPO de Lisboa sublinha que a escassez de pessoal pode mesmo levar à suspensão de alguns aceleradores lineares usados nos tratamentos de radioterapia.

A TSF sabe que três dos sete aceleradores lineares correm o risco de parar, colocando em causa os tratamentos de radioterapia não só dos doentes do IPO de Lisboa, mas também dos doentes oncológicos que são enviados pelo Centro Hospitalar de Lisboa Central e pelo Centro Hospitalar de Lisboa Ocidental.

No ano passado, foram tratados 2713 doentes, no Serviço de Radioterapia, mas 1260 doentes tiveram de ser enviados para o sector privado. A fatura foi de dois milhões e meio de euros.

O IPO de Lisboa pediu a contratação de nove físicos médicos, o que teria um custo anual de cerca de 205 mil euros.

A falta de recursos humanos está ainda a impedir a abertura da segunda ala do novo Bloco Operatório do IPO de Lisboa.

As novas salas de cirurgia estão prontas, mas precisam de mais 25 enfermeiros e 15 assistentes operacionais.

Na resposta enviada à TSF, o IPO destaca o empenho dos profissionais, que têm feito horas extraordinárias, para tentar resolver o problema, mas salienta que a contratação de pessoal é imprescindível para o funcionamento do Instituto, nomeadamente para o novo Bloco Operatório e para "evitar restrições nos aparelhos de radioterapia".

A escassez de recursos humanos agravou-se com a saída de 50 profissionais de saúde, com o fim do estado de emergência, no início de Junho.

O IPO de Lisboa precisa de um reforço de 364 pessoas, até ao final do ano. O Instituto trata e acompanha 57 mil doentes com cancro. Todos os anos, recebe 14 mil novos utentes.

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