Três ativistas com dados expostos continuam sem medidas de proteção pessoal

O inquérito feito pela câmara mostra que, ao contrário do que pensavam os ativistas, as informações pessoais já tinham sido partilhadas meses antes da manifestação de 23 de janeiro que desencadeou este caso.

Continuam sem medidas de proteção pessoal três dos ativistas que viram os dados pessoais expostos pela Câmara Lisboa à Embaixada Russa. Já lá vai um mês, mas até agora nada mudou.

Ksenia Ashrafullina ainda não sabe se vai ter direito a proteção pessoal. Isto, apesar de há dois dias ter recebido, um email do chefe de gabinete de Fernando Medina com um pedido de autorização para ceder os dados de Ksenia a terceiros. "O Bruno Maia enviou os termos de consentimento, para que a câmara possa comunicar, à polícia, os nossos dados. A polícia depois vai decidir o que quer (ou não quer) fazer", conta à TSF.

Poucos dias depois de ser conhecido o caso, o Diário de Notícias avançava que o SIS estava a avaliar as ameaças à segurança dos opositores russos. Mas a ativista russa garante que se sente segura. "Portugal é um país seguro, mas não sei como vai ser a minha relação geográfica com a Rússia. Entretanto já falei com a minha família, mas não sabemos o que fazer"

O inquérito feito pela câmara mostra que, ao contrário do que pensavam os ativistas, as informações pessoais já tinham sido partilhadas meses antes da manifestação de 23 de janeiro que desencadeou este caso.

Quando a 7 de setembro do ano passado, os opositores russos organizaram a primeira manifestação de apoio a Alexei Navalny, os dados dos organizadores já estavam na embaixada. "É caricato, porque nesse protesto frente à embaixada nós pedimos ao embaixador para sair à rua. Ele veio conversar connosco. Mas eu estava longe de saber que ele na altura já sabia com quem estava a falar", conta a ativista anti-Putin.
Na próxima semana termina o prazo de dez dias para que a câmara de Lisboa responda à proposta de deliberação feita pela comissão de proteção de dados (CMPD). Os três ativistas russos esperam agora pela CMPD para darem seguimento aos processos judiciais contra a autarquia de Lisboa.

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