Trezentas pessoas juntam-se em Lisboa para alertar para situação em Mariupol

A embaixadora da Ucrânia em Portugal, Inna Ohnivets, defendeu que o PCP deve reconsiderar a sua posição sobre a guerra na Ucrânia e sublinhou a necessidade de "ter unidade" entre os partidos políticos portugueses.

Cerca de três centenas de pessoas, a maioria ucranianas, juntaram-se esta quarta-feira em Lisboa para alertar para a situação em Mariupol, cidade ucraniana cercada pelas tropas russas que invadiram o país.

No Rossio, em frente ao Teatro Nacional Dona Maria II, os manifestantes juntaram-se hoje, ao princípio da noite, em redor da palavra "crianças" em grandes cartolinas escrita em ucraniano, rodeada por velas, roupas infantis e brinquedos.

Por perto, um cartaz exibido por um dos manifestantes dizia que 205 crianças foram assassinadas naquela cidade.

Ao anoitecer, os participantes na manifestação convocada pela Associação de Ucranianos em Portugal acenderam mais de uma centena de velas em homenagem às vítimas da invasão russa e cantaram o hino ucraniano.

"Estamos aqui para lembrar que a guerra na Ucrânia continua", disse à Lusa uma das manifestantes.

"Queremos que os defensores de Mariupol sobrevivam. Pedimos a todos que não fiquem indiferentes", disse Irina Petryn, uma jovem ucraniana, acrescentando que a situação naquela cidade costeira "é terrível".

O presidente da Associação de Ucranianos em Portugal, Pavlo Sadokha, disse à Lusa que muitos dos jovens que participaram na manifestação de hoje são refugiados da guerra na Ucrânia e insistiu que o que se está a passar no seu país é um "genocídio" por parte dos russos, que matam mulheres e crianças em Mariupol.

"Isto é um genocídio que os russos organizaram contra a Ucrânia", disse, acrescentando que a associação vai pedir ao parlamento português que reconheça que há um genocídio a acontecer na Ucrânia, e explicando que a manifestação em frente do teatro nacional simboliza também os muitos teatros destruídos na Ucrânia, exemplo de que a Rússia "quer destruir a cultura ucraniana".

A associação, acrescentou, continuará a fazer tudo para lutar contra a invasão russa e na quinta-feira os ucranianos estarão, na Assembleia da República, para assistir ao discurso do seu Presidente, Volodymyr Zelensky, que participa numa sessão especial com o parlamento português e na qual o PCP já disse não participar.

"Não é de agora que fazem isso. Desde 2014 apoiam o fascismo russo. São aliados da Rússia e responsáveis morais pelos crimes que acontecem na Ucrânia", comentou a propósito Pavlo Sadokha.

Embaixadora defende que PCP "deve reconsiderar posição" sobre a guerra

A embaixadora da Ucrânia em Portugal, Inna Ohnivets, que também participou na manifestação, começou por dizer apenas que era importante que todos os partidos políticos portugueses participassem no "momento histórico", preferindo, também à Lusa, falar da "situação muito grave" que se vive em Mariupol.

No entanto, em declarações captadas pela RTP no local, Ohnivets defendeu que "o PCP deve reconsiderar a sua posição sobre a situação relacionada com a guerra da Rússia contra a Ucrânia" e sublinhou que é "muito importante ter unidade entre os partidos políticos de Portugal no apoio" à Ucrânia.

Há muitos civis, especialmente mulheres e crianças, a sofrer, sem alimentos e sem água, disse a responsável, acrescentando que espera que o apelo da ONU de tréguas na Páscoa ortodoxa, esta semana, produza efeitos e que seja possível salvar pessoas em Mariupol.

Esta noite, no centro de Lisboa, foram também muitas as mulheres e crianças que participaram na manifestação, com bandeiras da Ucrânia, algumas emocionadas, algumas empunhando cartazes com frases como "salvem Mariupol" ou "evacuem Mariupol".

A Rússia lançou em 24 de fevereiro uma ofensiva militar na Ucrânia que já matou quase dois mil civis, segundo dados da ONU, que alerta para a probabilidade de o número real ser muito maior.

A guerra causou a fuga de mais de 11 milhões de pessoas, mais de 5 milhões das quais para os países vizinhos.

A invasão russa foi condenada pela generalidade da comunidade internacional, que respondeu com o envio de armamento para a Ucrânia e o reforço de sanções económicas e políticas a Moscovo.

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