Trofa luta por linha de metro há 20 anos. Movimento pede que Governo encontre solução

Há 20 anos foi desativada a linha de comboio entre a Estação da Trindade e a Estação da Trofa. Até agora, ainda não foi encontrada nenhuma solução. O Movimento "Metro para a Trofa Já" escreve uma carta a António Costa, apelando ao desenvolvimento da rede do Metro do Porto, que previa a ligação entre a Trofa e o ISMAI.

O movimento "Metro para a Trofa Já" vai enviar, esta quarta-feira, uma carta ao primeiro-ministro, António Costa. O objetivo é marcar os 20 anos de luta pela construção de uma linha de metro entre o Instituto Universitário da Maia (ISMAI) e a Trofa.

Há duas décadas foi desativada a linha de comboio entre a Estação da Trindade e a Estação da Trofa, no Porto. Na altura, foi prometida a construção de uma outra forma de transporte, mas até agora ainda nada foi feito.

A carta pede ao Governo que cumpra o memorando de entendimento, assinado pelo então primeiro-ministro, José Sócrates, relativo ao desenvolvimento da rede do Metro do Porto, que previa a ligação entre a Trofa e o ISMAI.

Há 20 anos que os trofenses esperam pela chegada do metro. Entretanto a esperança transformou-se num verdadeiro pesadelo, escreve o movimento.

As incertezas em torno da construção da linha da Trofa começaram logo em 2006. Nessa altura, foi dada por concluída a primeira fase de construção do metro, sem sinal da prometida ligação, o contrário do que tinha sido anunciado quando acabaram os comboios.

Em 2009, ainda chegou a ser lançado um concurso público, mas acabou anulado. De então para cá, o projeto não saiu do papel, apesar de até haver uma recomendação da Assembleia da República.

O Fundo Ambiental serviu, nos últimos anos, para financiar várias obras de melhoramento na rede e até para a construção do edifício sede da Metro do Porto. Investimentos de mais de 11 milhões de euros, mas que não chegaram à Trofa.

O movimento pede agora que os Fundos Estruturais previstos para o próximo quadro comunitário e para o PRR possam servir para uma mobilidade mais sustentável. Até porque, lembram os signatários, a alternativa ao metro é o transporte rodoviário, mais poluente, mas também mais lento.

"É inadmissível que isto não se faça." Presidente da Câmara da Trofa fala em "falta de vontade política"

O atual Presidente da Câmara Municipal da Trofa, Sérgio Humberto, afirma que só há um motivo para que a empreitada não tenha arrancado.

"Foi falta de vontade política e foi falta à palavra de sucessivos governos", disse, em declarações à TSF.

Há dois anos, o Governo anunciou a expansão do metro do Porto, mas no caso da ligação ISMAI-Trofa a proposta apresentada é de um metrobus, uma espécie de autocarro. O autarca acredita que esta não é a melhor solução, mas aceita-a, desde que resolva o problema.

"Nós estamos abertos a essa solução. É a que nós queiramos? Não. Mas é uma solução? É, porque são autocarros movidos a hidrogénio ou a eletricidade. Nós estamos disponíveis a aceitar algumas cedências. Nós queremos é que venha um transporte público e que faça esta ligação", explica.

Sérgio Humberto assegura que não é por falta de dinheiro que a obra não se faz.

"Estamos a ver hoje o metro do Porto a fazer expansão de duas linhas no valor de 300 milhões de euros, enquanto o metro até à Trofa já tem um canal consignado para esse efeito que custa os 120 milhões de euros. É inadmissível que isto não se faça", acrescenta.

"Tem que existir uma solução decente para as populações que foram enganadas"

O presidente do Conselho Metropolitano do Porto é um dos destinatários desta carta, e acredita que a Trofa vai finalmente ser servida pelo serviço de metro. Eduardo Vítor Rodrigues diz que não falta dinheiro, nem oportunidade, por isso, o plano assinado com o governo há mais de dois anos vai permitir que o projeto que vai devolver ao concelho um novo meio de transporte para substituir o comboio saia do papel. Não há desculpas, o projecto vai avançar até 2030, garante Eduardo Vítor Rodrigues.

"Aquilo que nós fizemos há dois anos e meio foi estabelecer com o Governo uma verdadeira estratégia de rede, e recuperámos o assunto Trofa. Esse documento foi assinado por mim, pelo senhor presidente da Câmara da Trofa, pelos autarcas envolvidos e eu acredito piamente que com o dinheiro disponível no PRR não só vai ser uma possibilidade como vai ser uma exigência", explica em declarações à TSF.

O presidente do Conselho Metropolitano do Porto dá razão aos moradores da Trofa, que se queixam de falta de alternativas ao comboio. Eduardo Vítor Rodrigues refere que são vítimas de uma precipitação e dos enganos dos sucessivos governos.

"Admito que a solução para a Trofa não seja uma solução integral de metro em carril, é uma solução mista de metro em carril com parte de metrobus, mas tem que existir uma solução decente para aquelas populações que foram enganadas. Fomos todos enganados pelos sucessivos governos que, ao longo destes anos, o que fizeram foi criar nos autarcas expectativas. Houve uma estratégia que não foi consumada. A verdade é que tivemos instrumentos e não os usamos para melhorar a rede do metro do Porto e isto tem que ser assumido e tem que ser feito", afirma.

Para precisamente mostrar essa indignação, além do envio da carta, está marcada uma concentração por volta das 17h00 junto à desativada estação ferroviária na junta de freguesia do Muro.

* Notícia atualizada às 11h00

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