Trovoadas com granizo e chuva forte são "normais para esta época"

Este ano a instabilidade tem-se mantido durante mais tempo. Cientista João Santos justifica com o anticiclone dos Açores que "tem estado enfraquecido".

As últimas semanas têm sido marcadas por trovoadas intensas, granizo abundante, chuva e vento fortes, o que tem provocado prejuízos na agricultura, sobretudo na região do Douro. Porém, é uma situação "normal para esta época do ano no interior Norte", assegura João Santos, um dos mil cientistas climáticos mais influentes do Mundo, de acordo com um ranking da agência noticiosa Reuters.

Este ano, o período de instabilidade meteorológica parece estar a ser mais extenso, pois já vai em três semanas, mas "há algumas décadas estes episódios eram normais". O docente e investigador da Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (UTAD), em Vila Real, considera que "as pessoas tendem a ter memória curta", pelo que são "entendidos como anómalos". Todavia, "se forem enquadrados no histórico, eles não são assim tão fora do normal".

Há, todavia, uma explicação para esta fase mais continuada trovoadas: o anticiclone dos Açores, que normalmente funciona como escudo para o mau tempo, "tem andado enfraquecido".

"Assim que se intensificar, vai bloquear estas situações em Portugal", assegura o cientista.

A instabilidade vai continuar em Portugal mais alguns dias, apesar da descida da temperatura, de acordo com previsões do Instituto Português do Mar e da Atmosfera.

Trás-os-Montes e Alto Douro é a região que, nesta altura do ano, historicamente, tem mais trovoadas. Este ano estão a ser mais intensas. A estimativa feita pela Direção Regional de Agricultura e Pescas do Norte, aponta para cerca de 2200 hectares de vinha e 1200 hectares de pomares de macieiras afetados pelo granizo, chuva e vento fortes. Concelhos como Vila Real, Lamego e Armamar têm sido os mais castigados.

O investigador da UTAD realça que o que ocorre em território português não é comparável ao que acontece "em zonas mais interiores da Península Ibérica", com o "máximo a ser atingido nos Pirenéus". E se se avançar mais para as zonas montanhosas da Europa Central (Suíça, Áustria, República Checa, por exemplo), aí "as trovoadas, do género das que agora se têm verificado em Portugal, são quase diárias".

As alterações climáticas não são para aqui chamadas, pois, segundo João Santos, em Portugal, "as tendências históricas não são de agravamento" e as projeções futuras "apontam para alguma diminuição".

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