Uber: Primeira viagem em Portugal foi há cinco anos

4 de julho de 2014. Nesse dia, David transportou um cliente de Picoas até aos Restauradores, em Lisboa. Uma viagem de 16 minutos que marcou o arranque da atividade da Uber em Portugal. David já não está na empresa. O título de motorista mais antigo da plataforma eletrónica é agora de Paulo Alves. A TSF falou com ele.

"Recordo-me que foi perto da hora do almoço, agora o trajeto que fiz já não me lembro." Afinal, pelo carro de Paulo Alves já passaram, nos últimos cinco anos, mais de 5.000 clientes, número suficientemente elevado para justificar o esquecimento do primeiro passageiro transportado.

Na altura, em 2014, eram "poucos, muito poucos" os motoristas da Uber tal como os serviços prestados. "Posso fazer hoje 20, 25, 30 viagens num dia, possivelmente, e no começo fazia uma viagem, duas viagens por dia."

Os primeiros tempos da Uber em Portugal ficam marcados pela forte contestação do setor do táxi. Entre acusações de concorrência desleal, os protestos foram subindo de tom até atingirem o pico naquele dia do ano de 2016 em que mais de 6.000 taxistas protestaram nas ruas de Lisboa. Registaram-se desacatos, a polícia teve de intervir.

Apesar do retrato, Paulo nunca teve "nenhum desaguisado ou confronto com um taxista". Até porque, acrescenta em tom de justificação, "tenho amigos taxistas também". Não significa que, durante o horário de trabalho, uns e outros convivam: "Eu desejava que isso pudesse acontecer porque acho que isso era bom e salutar, agora isso não acontece como é lógico."

Durante a conversa ouve-se um sinal sonoro com origem no telemóvel. Paulo explica que é um aviso de outra plataforma eletrónica. O motorista começou por trabalhar com a Uber mas hoje está associado "a mais três". É uma forma de captar mais clientes.

E quem são os clientes de Paulo? "É normal que no verão haja mais turistas mas, no geral, acho que a percentagem entre portugueses e estrangeiros deve ser ela por ela".

"Uma coisa muito engraçada é que, desde que a Uber entrou em Portugal, tem-se notado que as pessoas com mais idade aderem cada vez mais", comenta.

Durante os cinco anos de atividade, a viagem com mais quilómetros levou Paulo até Évora: "Apanhei o cliente ao meio dia aqui no Príncipe Real e fui até Évora".

De acordo com a Uber, a viagem mais longa feita por um motorista associado a esta plataforma levou esse motorista de Lisboa ao Algarve e do Algarve até ao Porto - 800 kms no total. "Seria um bom serviço. Claro que seria!", exclama Pedro de olhos arregalados.

Estão hoje registados na base de dados da Uber 8.000 motoristas, divididos por Lisboa, Porto e Algarve. Em Lisboa, o número deve rondar os 4000. Chega para todos? "É assim... Eu tenho aquela mentalidade que chega para todos. A Uber tem o cuidado de meter carros na altura dos picos de procura. Se calhar na altura do verão justifica-se ter mais. No inverno, com menos faturação, se calhar a Uber aproveita e faz uma filtragem". Quanto ao número de horas trabalhadas por dia, Paulo revela que no mínimo "oito, nove, dez horas".

Por cada serviço prestado, Paulo entrega à Uber 25% do valor faturado. Às queixas de alguns motoristas de que a percentagem é excessiva, Paulo contrapõe que "é um valor que a Uber estabeleceu, foi ela que criou esta plataforma, foi ela que criou esta logística, penso que é legítimo pedir os 25% (...) Não me choca!"

Sobre as estórias que marcam a história dos carros conduzidos por Paulo, há várias manifestações de amor nos assentos de trás, "sobretudo à sexta-feira e sábado". Mas tudo, faz questão de salientar, "com respeito".

Estórias que Paulo espera continuar a narrar nos próximos cinco anos "com o mesmo empenho" demonstrado até aqui.

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