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Reportagem TSF

Um crítico aqui, um crítico ali deram segunda vida ao vinho de talha

O vinho de talha, produzido na Vidigueira, é, esta sexta-feira, apresentado num evento exclusivo, em honra da Rainha de Inglaterra. O néctar extraído da técnica milenar com 2 mil anos, que remonta ao tempo dos romanos, é exibido em Londres, na iniciativa organizada pelo Clube Internacional da Rolls-Royce e Bentley.

O representante da Honrado Vineyards, que viajou desde Vila de Frades, quer aproveitar a sublime oportunidade para promover o vinho de talha em novos potenciais mercados, onde é difícil chegar.

"Vamos estar num stand, onde vamos dar provas de vinhos aos associados do clube e aos jornalistas internacionais que estão a cobrir o evento", revela Ruben Honrado, admitindo que o "plano" passa por "falar do vinho de talha de uma forma generalizada, expandi-lo para estes mercados e ensinar um bocadinho daquilo que é a nossa tradição do Alentejo."

O sócio-gerente da Vineyards explica que esta técnica de produção artesanal de vinho chegou a diluir-se nos tempos, embora as famílias da Vila de Frades conservassem a tradição de o produzir nas talhas que mantinham nas suas próprias casas.

Porém os últimos anos trouxeram uma nova realidade. "Um crítico aqui, um crítico ali, conhecem o vinho de talha, conhecem a sua história e cultura, conhecem as suas características e quando alguém fala no vinho de talha desperta, cada vez mais, o interesse dos mercados", diz.

O vinho de talha teve recentemente o seu protagonismo reforçado à boleia da candidatura a Património Imaterial da Humidade, liderada pela Câmara da Vidigueira. O aumento da procura por parte dos consumidores levou ao aumento da produção, que já não é feita apenas pelos pequenos vinicultores.

Nesta altura, até já os grandes produtores que exportam para dezenas de países passaram a reservar um "canto da adega", assinala Ruben Honrado, para a produção de vinho de talha. "Focam-se no enoturismo, porque este vinho abre muitas portas, tem muita cultura e história", insiste.

E o que fascina o turismo à volta da produção deste néctar? Ruben Honrado revela que têm surgido muitos turistas que gostam de ajudar na remontagem e querem mexer as massas. Mas, o mais importante, é que gostam de provar o vinho diretamente da talha". A vindima aqui ainda é feita à mão, com as uvas a serem transportadas para adega em pequenas caixas. Há, inclusivamente, muitos produtores que ainda moem a uva em moinhos manuais.

Depois da promoção em Londres, Ruben Honrado regressa ao seu restaurante País das Uvas, paredes meias com a renovada adega que preserva a memória do vinho de talha, onde há provas diárias diretamente da "fonte". Recorde-se que 11 de novembro é uma data a reter, seguindo a velha máxima, segundo a qual, no "Dia de São Martinho vai à adega e prova o vinho".

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