Um em cada cinco internados com Covid-19 acaba por morrer. Número dispara nos doentes com cancro e demência

Doentes oncológicos e com demência não estão na primeira fase de vacinação, mas investigador em saúde pública compreende a opção.

Cerca de 20% dos portugueses internados em contexto hospitalar com Covid-19, em enfermaria ou cuidados intensivos, acabam por falecer, com destaque para os idosos e para quem tem algumas doenças prévias.

No topo surgem aqueles que já têm, previamente, um cancro com metástases (49,6%), demência (39%) e cancros malignos ainda sem metástases (36,5%), doenças que não estão nas patologias alvo de vacinação na primeira fase do plano do Ministério da Saúde que ainda não se sabe quando irá terminar tendo em conta os atrasos na entrega de vacinas a Portugal.

Os doentes com tumores ativos malignos surgirão apenas na segunda fase da vacinação e os pacientes com demências só estão incluídos na terceira fase em que será vacinada toda a restante população.

Recorde-se que na primeira fase estão incluídos os portugueses com mais de 80 anos e quem tiver mais de 50 anos desde que tenha uma de cinco patologias: insuficiência cardíaca, doença coronária, insuficiência renal grave e doença pulmonar obstrutiva crónica (DPOC) ou doença respiratória crónica grave.

O risco de várias doenças

Os dados sobre o risco de morte dos internados foram apresentados pela diretora da Escola Nacional de Saúde Pública, Carla Nunes, na última reunião do Infarmed, e consultados em detalhe pela TSF.

Em causa os internados com Covid-19 desde o início da pandemia até ao final de dezembro. Naturalmente, a taxa de mortalidade sobe à medida que aumenta a idade: 46,3% dos internados com mais de 90 anos acabam por falecer, número que desce para os 34,4% na casa dos 80 anos, 22% dos 70 aos 79 e 12% dos 60 aos 69 anos.

Nas doenças, depois dos tumores e das demências, nota para as doenças cardíacas (34,3%), doenças neurológicas (34%), hipertensão com complicações prévias (32,1%) e doenças crónicas do fígado (31,1%).
Entre quem tem diabetes com complicações a probabilidade de morte ao chegar a um hospital é de 28,6% (descendo para 23,1% nos diabéticos sem complicações), chegando a 25,6% em quem apresentava antes da Covid uma doença respiratória.

As prioridades da vacinação

Vasco Ricoca Peixoto, investigador da Escola Nacional de Saúde Pública que trabalhou os dados anteriores, sublinha o peso da idade que é, claramente, o maior fator de risco para quem fica contagiado com o SARS-CoV-2 e é internado num hospital.

Sobre as doenças, o especialista recorda, à TSF, que muitos destes doentes, nomeadamente pela idade, têm não apenas uma mas várias patologias associadas previamente à infeção.

"Sabemos, por exemplo, que ter um cancro está muitíssimo associado às idades mais avançadas", refere Vasco Ricoca Peixoto, que sobre as prioridades da vacinação adianta que os dados a que chegaram têm relevância, mas têm de ser interpretados com cuidado pois apenas se referem ao grupo de doentes que chegam a ser internados.

O investigador defende que as patologias colocadas, de início, na primeira fase da vacinação estão bem selecionadas, mas admite que as doenças oncológicas e a demência também poderiam, entretanto, ter sido acrescentadas, apesar de sublinhar que estes dados não são decisivos para essa decisão e ser preciso ver, "também, a quantidade de vacinas que temos disponíveis", com as "dificuldades" que são conhecidas.

"Deve pelo menos ser considerado, mas percebo que haja dificuldades em acrescentar imediatamente estas doenças", diz Vasco Ricoca Peixoto que confirma que os dados trabalhados na Escola Nacional de Saúde Pública revelam que "a demência e as doenças oncológicas têm um risco grande" de morte com Covid-19, acreditando, contudo, que a vacinação nos lares - prevista na primeira fase - está a abarcar grande parte das pessoas com demência.

LEIA AQUI TUDO SOBRE A PANDEMIA DE COVID-19

Mais Notícias

Outros Conteúdos GMG

Patrocinado

Apoio de