Um em cada cinco portugueses tem anemia, mas a grande maioria não sabe

É uma doença muitas vezes desvalorizada e envolta em vários. O presidente da Sociedade Portuguesa para o Estudo da Anemia esclarece tudo sobre a doença que afeta 20% dos portugueses.

Um em cada cinco adultos portugueses (cerca de 20%) sofre de anemia, mas a grande maioria desconhece que tem esta doença que resulta da diminuição do número de glóbulos vermelhos ou do conteúdo de hemoglobina no sangue.

São dados novos, com origem num inquérito epidemiológico feito há seis anos pela Sociedade Portuguesa para o Estudo da Anemia. Desde então, este grupo de médicos assinala 26 de novembro como Dia da Anemia, data que ainda não foi oficialmente reconhecida pelo Parlamento como "dia nacional".

A criação de uma estratégia nacional de luta contra a doença é um passo fundamental para alertar consciências, sublinha o presidente da Sociedade, António Robalo Nunes, em declarações à TSF.

"Tem que haver um aumento da literacia, da sensibilização da população", defende, já que mais de 80% das pessoas a quem foi detetada anemia não sabiam que tinham esta doença.

Também há profissionais de saúde de algumas especialidades médicas que, "por força de estarem vinculadas a áreas muito específicas", ainda desvalorizam a anemia, nota António Robalo Nunes.

O presidente da Sociedade para o Estudo da Anemia lembra que esta é uma doença que pode esconder outras patologias. "Pode ser o primeiro sinal de uma doença subjacente que pode ser grave".

"Anemia implica sempre uma palavra - 'porquê'", alerta António Robalo Nunes. É essencial procurar sempre o que está a provocar a anemia.

O principal sintoma de anemia é cansaço desproporcional, mas como os glóbulos vermelhos deixam de ser capazes de distribuir oxigénio ao organismo de forma eficaz, pode haver manifestações de anemia "em todos os aparelhos e sistemas".

Em caso de suspeita de anemia, as pessoas devem consultar o médico, fazer análises, despistar a existência ou não da doença e, caso se confirme, procurar a sua causa e tratá-la, ou seja, "não fazer apenas uma maquilhagem de sintomas", aconselha o especialista.

Falar de anemia e da falta de ferro implica falar de alimentação, mas há muitos mitos instalados.

Há legumes geralmente associados ao combate à anemia que têm na verdade muito pouco ferro, como a beterraba. Já os vegetais de folha verde como os espinafres e os agriões têm uma forma de ferro "muito dificilmente absorvida pelo homem, que é um animal herbívoro. São ferros preparados para os animais herbívoros".

Por outro lado, "quando se atinge o estado de desequilibro negativo, por falta de ferro", não é possível tratar a anemia exclusivamente por via alimentar - "por mais iscas, cabidelas ou carnes vermelhas que sejam ingeridas", ressalva o presidente da Sociedade Portuguesa para o Estudo da Anemia. É preciso recorrer à medicação.

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