Um em cada quatro minutos de aulas não é usado a ensinar

Os professores portugueses gastam 17,2% do tempo das aulas a tentar manter a ordem e 8,2% em tarefas administrativas.

Mais de um quarto do tempo das aulas do 3.º ciclo do ensino básico (7.º ao 9.º ano) não é gasto a ensinar, ou seja, bem mais que as médias europeia ou dos países desenvolvidos.

Quem faz as contas são os professores portugueses (do público e do privado) em resposta a um inquérito feito pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE) para perceber como anda o ambiente de aprendizagem nas escolas.

Na prática, por cada 100 minutos de aulas os docentes nacionais apenas gastam, em média, 73,5 minutos a ensinar (na OCDE a média sobe para 78%).

Dos 48 países avaliados num inquérito que não era feito há cinco anos apenas sete apresentam um resultado pior que o português: Arábia Saudita, África do Sul, Brasil, Chile, Holanda, Bélgica e Turquia.

Do outro lado, os professores portugueses também estão no grupo dos que mais tempo perdem, 17,2% das aulas, a tentar manter a ordem na sala.

Os docentes nacionais gastam ainda 8,2% do tempo em tarefas administrativas o que, no entanto, fica na média dos países alvo do inquérito.

Quase metade dos professores tem mais de 50 anos

Pela positiva, os resultados deste estudo também revelam que 84% dos docentes portugueses tiveram nesta a sua primeira opção de carreira, bem mais que a média da OCDE (67%).

No entanto, os professores nacionais são claramente uma classe envelhecida tendo, em média, 49 anos (a média da OCDE são 44 anos), com 47% a terem mais de 50 anos.

"Isto significa", diz o estudo lido pela TSF, "que Portugal vai ter de renovar um em cada dois professores durante a próxima década".

O documento revela ainda que praticamente todos os docentes (97%) acreditam que a relação com os alunos é em geral boa, sendo que o bullying entre alunos é em Portugal menor, segundo os professores, que na OCDE (7% vs 14%).

Finalmente, nota para o elevado número de diretores (48% contra 32% na OCDE) que afirma que tem falta de professores com competências para ensinar alunos com necessidades especiais.

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