Um grande jardim, menos carros e mais ciclovias. Saiba tudo o que vai mudar na Praça de Espanha

Rotunda da Praça de Espanha vai desaparecer e haverá ligação direta entre a Avenida de Berna e a Avenida Calouste Gulbenkian. As obras para a requalificação do espaço arrancam esta segunda-feira, mas há quem critique o processo.

O presidente da Câmara Municipal de Lisboa, Fernando Medina, espera retirar milhares de carros da Praça de Espanha, após as obras no local, que começam esta segunda-feira. Em declarações à TSF, o autarca revela os detalhes do novo parque verde que vai surgir naquele espaço.

"A Praça de Espanha vai transformar-se num dos maiores jardins da cidade de Lisboa", garantiu Fernando Medina, adiantou que o espaço terá a dimensão do atual Jardim da Estrela (cerca de 6 hectares).

O jardim terá ainda "uma ligação pedonal ao jardim da Fundação Calouste Gulbenkian, que também vai ser ampliado" e estará integrado "numa rede de ciclovias que vem de Benfica, de Alcântara, da Avenida da República e de uma nova ligação a uma ciclovia na Avenida dos Combatentes, à Cidade Universitária e ao Hospital de Santa Maria", referiu o autarca.

"Teremos uma zona com uma qualidade de vida que hoje não tem", assegurou Fernando Medina, que afirma que este é "um dos projetos principais para a cidade de Lisboa neste ano de 2020".

Também Miguel Gaspar, vereador da Câmara Municipal de Lisboa com o pelouro da Mobilidade, frisa que esta vai ser "uma grande mudança na Praça de Espanha".

"Vamos melhorar as condições de circulação dos transportes públicos, com corredores de BUS mais longos e mais protegidos e vamos mudar algo que já não fazia sentido desde que se construiu o Eixo Norte-Sul - a diagonal que servia para ligar a 2.ª Circular à Ponte 25 de Abril", apontou o vereador.

"Esta é uma obra estruturante para a cidade de Lisboa", sublinhou Miguel Gaspar. "É uma obra que vai simplificar muito os movimentos rodoviários. Para 30% das pessoas que aqui passam, o caminho vai ficar mais direto, o que significa também menos emissões, menos barulho e menos poluição num sítio sensível, com escolas e um hospital ao pé."

A obra está orçamentada em 17 milhões de euros e a autarquia garante que vai fazer tudo o que é possível para evitar derrapagens. "Queremos terminar o jardim este ano e vamos fazer tudo para que esta obra corra em tempo. Há todo um empenho para que nada corra mal", garantiu Miguel Gaspar.

O presidente do município, Fernando Medina, admite que as obras em causa vão causar perturbações ao trânsito na cidade, mas garante que, no final, os resultados vão valer o esforço.

"Vai ser um ano com constrangimentos do ponto de vista da circulação, peço a compreensão de todos para as dificuldades que [a obra] vai colocar, mas creio que o ganho para a cidade de Lisboa valerá muito a pena", declarou Fernando Medina.

São os automobilistas com veículos particulares que mais irão sentir o impacto das obras na Praça de Espanha. Para a rede da Carris, não estão previstas quaisquer alterações.

Críticas ao projeto para a Praça de Espanha

O presidente do Automóvel Clube de Portugal (ACP), Carlos Barbosa, considera que a Praça de Espanha precisa de requalificação, mas critica o modo como a autarquia vai levar a cabo esta intervenção.

"Considero inadmissível que a obra seja feita desta maneira", declarou Carlos Barbosa, ouvido pela TSF. "Estas obras vão prejudicar extremamente uma das principais entradas e saídas de Lisboa. O trânsito não vai ter capacidade de escoamento para entrar na Avenida de Berna e as ciclovias ali não vão ter grandes clientes, porque são vias de entrada e saída em Lisboa, e ninguém vem de Vila Franca de Xira de nem de Sintra para Lisboa de bicicleta", comentou.

O presidente do ACP lembra ainda que não foram ouvidas pela autarquia opiniões independentes para o projeto em curso. Carlos Barbosa defende que devia ser feito um desnivelamento, quer para a entrada quer para a saída da Praça de Espanha, uma ideia que ficou de fora do desenho do novo espaço.

"Não está em causa um projeto para reformular o trânsito na Praça de Espanha. O que está em causa é este projeto, porque, mesmo daqui a um ano, não vai resolver os problemas na entrada e saída da cidade naquelas artérias e vai, cada vez mais, congestionar o trânsito", concluiu.

Notícia atualizada às 12h46

*com Paula Dias e Cláudia Arsénio

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