"Uma andorinha não faz a primavera." Governo promete investigar caso de Setúbal "até às últimas consequências"

É uma mancha no até agora exemplar acolhimento de refugiados em Portugal: o Governo promete não deixar passar em branco o que, a confirmar-se, se trata de um caso "intolerável".

O Governo promete investigar "até ás últimas consequências" as circunstâncias em torno da receção de refugiados ucranianos por cidadãos russos com ligações ao Kremlin na câmara de Setúbal.

A confirmar-se, trata-se de um "tratamento negligente e intolerável por parte de um município", condena a ministra Adjunta e dos Assuntos Parlamentares, Ana Catarina Mendes.

Ouvida no Parlamento no âmbito da discussão na especialidade da proposta de Orçamento do Estado, a ministra lembra que o caso está a ser investigado pela Inspeção-Geral das Finanças e foi também pedida uma investigação à Comissão Nacional de Proteção de Dados de forma a apurar o que aconteceu.

Ana Catarina Mendes assegura que o Governo não deixará passar impune uma violação da lei, e muito menos permitirá "que não se trate de forma digna e com respeito aqueles que aqui chegam, assim como todos os que vivem em Portugal".

"Uma andorinha não faz a primavera", ressalva a ministra, destacando como genericamente positivo o acolhimento de refugiados provenientes da Ucrânia em 146 centros de acolhimento de migrantes em todo o país.

No último mês e meio Portugal recebeu mais refugiados do que nos últimos cinco anos, destaca Ana Catarina Mendes. "É um esforço acrescido" face aquela que é a maior crise de refugiados da História, com a fuga de 5,5 milhões de ucranianos para fora do país, de acordo com os dados mais recentes da ONU.

"Portugal é um país de referência no mundo" no acolhimento de refugiados, reconhecido pela forma como foi capaz de promover "a plena integração de todos os que nos procuram", aponta.

A polémica sobre o alegado envolvimento de dois cidadãos russos pró-Putin e com ligações ao Kremlin na receção a refugiados ucranianos na câmara de Setúbal foi denunciada pelo jornal Expresso.

Os refugiados ucranianos terão sido questionados sobre os familiares que ficaram na Ucrânia quando foram recebidos na Câmara de Setúbal por Igor Khashin, membro da Associação dos Emigrantes de Leste (Edinstvo) e antigo presidente da Casa da Rússia e do Conselho de Coordenação dos Compatriotas Russos, e a mulher, Yulia Khashina, funcionária do município.

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