"Uma birra." Turismo e autarcas do Algarve contestam greve do SEF

Presidente da Comunidade Intermunicipal do Algarve defende que a greve marcada para o período entre 1 e 15 de junho vai longe demais. João Fernandes, do Turismo do Algarve, alerta para a importância de recuperar o setor.

O Turismo do Algarve e os autarcas da região contestam a greve do Serviço de Estrangeiros e Fronteiras, marcada para o período entre os dias 1 e 15 de junho, que vai afetar o funcionamento dos aeroportos e, em particular, o de Faro onde chegam centenas de turistas britânicos que têm necessariamente de passar por aquela polícia.

Se o apelo aos trabalhadores do SEF para que voltem atrás na sua decisão não resultar, o Governo deve avançar para a requisição civil, pensam o Turismo do Algarve e a Comunidade Intermunicipal do Algarve (AMAL). Numa tomada de posição conjunta, pedem ao SEF que que não avance para a greve tendo em conta o impacto que a mesma terá na economia da região e do país.

Turismo e autarcas garantem não estar a colocar em causa o direito constitucional à greve, mas António Miguel Pina, presidente da AMAL, considera que a paralisação vai longe demais e "é uma birra".

"Fazer uma greve, durante 15 dias, das 9h00 às 12h00 não é para fazerem valer os seus direitos", defende o dirigente, que acrescenta que os funcionários "vão pôr toda a população contra eles".

António Miguel Pina sublinha que, tal como a greve, "também há direito à requisição civil quando estão a colocar em causa objetivos importantes da nação".

"Se agentes da autoridade não conseguirem perceber que primeiro está a pátria, é porque de facto alguma coisa está mal nessa estrutura", remata o líder da AMAL.

O presidente do Turismo do Algarve, por seu lado, avança com os números já conhecidos que apontam para que, em junho, o setor recupere 70% do que já se verificava em 2019, um ano que foi considerado bom para o turismo.

Com base nestes dados, João Fernandes deixa um pedido aos trabalhadores do SEF: "Basta olhar para os números do desemprego no Algarve para percebermos que as circunstâncias exigem que todos estejamos mobilizados para reativar a economia."

O período que aí vem é "muito sensível do ponto de vista da reativação da economia e da criação de emprego, que é também um direito constitucional", aponta.

Por já não serem considerados cidadãos da União Europeia, todos os cidadãos britânicos têm de passar pelo crivo do SEF nos aeroportos, um fator que criaria muitos constrangimentos em caso de greve.

Sindicato acusa Governo de "assédio"

O presidente do Sindicato dos Inspetores de Investigação, Fiscalização e Fronteiras (SIIFF) do SEF, Renato Mendonça, sublinha que a greve é um direito e, por isso, uma possível requisição civil seria um sinal de que o Governo desconhece a lei.

"A requisição civil, segundo sei, aplica-se quando existem fundados receios ou não existe, da parte dos trabalhadores, o compromisso de cumprirem com os serviços mínimos", um receio que o dirigente diz não se aplicar a este caso. A greve durará apenas "duas ou três horas por dia, pelo que o impacto não será diário e contínuo".

O SIIFF lamenta ter de avançar com esta greve e culpa o Governo de "assédio" ao longo dos últimos meses. "Continua a recusar explicar-nos o que nos vai acontecer no futuro", nota Renato Mendonça.

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