"Uma conquista" e um "bem comum". Banco de Leite Humano do São João quer chegar a todos os bebés de risco do Norte

Hospital de São João, no Porto, inaugura esta segunda-feira o primeiro banco de leite humano do Norte e o segundo do país. O objetivo é fornecer leite gratuitamente a todos os bebés de risco da região Norte que não podem ser amamentados pelas mães.

Apesar de só esta segunda-feira ser inaugurado, o Banco de Leite Humano do Norte, o segundo no país, já começou a funcionar. Já recolheu leite de dadoras, que está pronto para ser fornecido aos bebés que dele precisarem. Henrique Soares, diretor de neonatologia do Hospital de São João (HSJ), afirma à TSF que a abertura deste equipamento representa "uma conquista" para a região que resulta de uma "luta de alguns anos".

"A aplicação de uma terapêutica substitutiva do leite materno quando ele não existe e que vai repercussões muito positivas, principalmente na grande prematuridade", representa "um bem comum", acrescenta. A ideia, diz o responsável, é que o banco "possa fornecer leite gratuitamente para todos os bebés de risco da região Norte".

Sublinhando que a primeira escolha para a amamentar um bebé é o leite da própria mãe, Henrique Soares realça que na ausência deste, o leite de dadora é uma opção que "mostrou ter propriedades que diminuem o risco de algumas patologias que são graves, principalmente na grande prematuridade".

Diana Silva, coordenadora do Banco de Leite Humano do Norte, explica à TSF que as dadoras são todas mães que estão a amamentar mas que, por acaso, têm leite em excesso e que o doam gratuitamente. Estas mulheres são inicialmente rastreadas e, se reunirem as condições necessárias, podem ser dadoras, sendo depois o leite recolhido no próprio domicílio, armazenado e transportado em segurança até às instalações do São João. A equipa que vai ao domicílio recolher o leite está preparada para apoiar e esclarecer quaisquer dúvidas.

O Banco de Leite humano do Norte nasce da requalificação da copa de leite do HSJ, local onde é preparada a alimentação de bebés que não estão a ser amamentados, e resulta de um investimento que rondou meio milhão de euros.

A equipa junta farmacêuticos, especialistas em patologia clínica, nutricionistas, entre outros profissionais e técnicos.

As dadoras devem ser mães com bebés com menos de seis meses por causa da qualidade do leite que tem de ser adequada a um bebé recém-nascido.

Podem beneficiar deste leite doado bebés prematuros, cujas mães não estão biologicamente preparadas para amamentar, ou seja, devido à antecipação da chegada dos filhos ainda não tenham leite materno ou até o tenham mas não em quantidade suficiente.

Também beneficiam deste projeto bebés internados por longos períodos nos serviços de neonatologia após, por exemplo, cirurgias longas ou recobros demorados, cujas mães até tinham leite, mas esse acabou durante o processo de recuperação do filho.

Já na informação publicada no site do CHUSJ lê-se que "todos os bebés, em particular os mais frágeis, deveriam ter disponíveis as melhores condições de atendimento para a promoção da sua saúde e sobrevivência" e recordado que "quando não se dispõe de leite materno, o leite de dadora é a primeira alternativa".

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