Uma maternidade no Tejo. Nascimento de golfinho registado em vídeo

Uma cria de golfinho nasceu, esta quarta-feira, em pleno Tejo. O momento foi captado em vídeo por quem passeava no rio.

Foi por volta das 10 horas da manhã desta quarta-feira. Bernardo Queiroz, velejador e dono de uma empresa náutica, estava perto da Zona da Trafaria. "Foi uma sorte gigante. Nós temos saídas [de visitas de barco] para os golfinhos todos os dias. E o barco já tinha saído, quando chegaram dois clientes atrasados."

Bernardo pegou noutro barco a motor, para levar os turistas franceses atrasados para o passeio no Tejo, e foi aí que teve um encontro inédito. "Estava um golfinho isolado. Ficámos a olhar, estávamos a achar estranho e, de repente, vimos uma mancha de sangue e pensámos que estivesse ferido", conta.

"Passado poucos segundos, vimos uma cria a aparecer - e os momentos a seguir foram mágicos", relata. "Um golfinho muito pequenino. A mãe ainda trazia a placenta a sair da área genital e veio muito devagar, muito tranquila. Os motores [dos barcos] estavam desligados, não havia barulho nenhum, e veio à parte da popa do barco, onde eu estava sentado, e ficou a 70 centímetros de mim. Olhou-me olhos nos olhos."

"O nosso coração aperta-se e fica pequenino", descreve, recordando o encontro.

O episódio inédito ficou registado em vídeo. Bernardo Queiroz tem, apesar de tudo, a certeza de que este não terá sido o primeiro nascimento de um golfinho nas águas do Tejo.

"Já aconteceram, seguramente, outros partos dentro do rio. Nós é que nunca tínhamos presenciado nenhum", refere. "Vemos todos os dias dentro do rio fêmeas grávidas e crias muito pequenas."

Até porque a população de golfinhos no Tejo tem crescido, desde a pandemia - altura em que a pesca esteve mais parada e, sem redes à vista, os animais começaram a entrar à vontade no rio para se alimentarem.

"Nos anos 80, não víamos nada! Depois, com o tratamento e a melhoria da qualidade das águas, começámos a ver 10 a 15 vezes [por ano]. E agora, desde a pandemia, tem sido uma loucura", afirma. "Em 60% dos dias vemos golfinhos entrarem."

"Eles entram muito dentro do rio, conta. Os golfinhos vêm "desde Carcavelos até ao Terreiro do Paço para comer umas sardinhas". Bernardo Queiroz não tem dúvidas de que isto significa que o Tejo é um local importante para a alimentação dos golfinhos. Mas, nas águas do rio, há perigos para esta população, especialmente para as pequenas crias.

"Vemos, muitas vezes, os barcos pequenos de pesca, a motor, andarem a circular à volta dos golfinhos e não os deixarem vir acima respirar. Com uma cria tão pequenina, isto era um afogamento certo", alerta.

É, por isso, lembra Bernardo Queiroz, que é preciso tomar medidas para evitar que, no futuro, as crias de golfinhos fiquem em risco, além de todas as outras espécies que fazem do Tejo a sua casa. "Há muita vida marinha a passar em frente a Lisboa. As pessoas não têm essa noção, acham que é só nos filmes, mas não é."

Mais Notícias

Outros Conteúdos GMG

Patrocinado

Apoio de