"Uma vida escrava." Ser pastor por um dia

Na aldeia de Outeiro, em Montalegre, qualquer pessoa pode trilhar os caminhos que o pastor percorre diariamente e acompanhar o rebanho pelas pastagens da encosta da Serra do Gerês.

A ideia partiu de um casal que vive na aldeia. O percurso de cerca de 10 quilómetros inclui farnel e enchidos assados numa fogueira improvisada. A partida é na aldeia de Outeiro, por um caminho de terra junto à Casa Albelo do Gerês.

Maria Carronda, da associação de montanheiros Mountain Riders é a guia. "O percurso em terra batida começa aqui junto ao Albelo do Gerês, depois atravessamos um ribeirinho, seguimos ao longo da barragem da Paradela e vamos até um lugar que se chama Gafaria. Aqui atravessamos uma ponte e passamos para o outro lado da serra. Subimos depois até um lugar que se chama Urzelo, onde estão as cabras e aqui o pastor abre as cortes, as cabras saem e vão comer. Aí acompanhamos o pastor com as cabras".

E quase cinco quilómetros depois de termos começado a caminhada, de dificuldade fácil, chegamos ao lugar de Urzelo, onde o pastor João Fernando vai soltar as cabras. "Tenho que andar sempre com as cabras por causa dos lobos, por volta das seis ou sete horas da tarde elas regressas. De manhã venho por volta das 9 da manhã, trago farnel... Desde os 15 anos que faço isto e tenho 37. Gosto muito do que faço, fui criado com isto... o meu pai e a minha mãe sempre tiveram cabras".

E guiadas pela cadela, a Campeã, as cerca de 200 cabras seguem pela encosta da Serra do Gerês. A ideia de partilhar e mostrar a vida da aldeia do Outeiro partiu do casal Fernanda e Miguel Martins. Nasceram aqui, foram pastores, aos 19 anos emigraram e quase duas décadas passadas, decidiram regressar. Abriram um restaurante e um alojamento local. "Andava na bezeira, fui pastor dos 11 até aos 19 anos, quando fui para Inglaterra. Não via aqui grande futuro, era uma vida escrava... ser pastor não é uma vida fácil, por isso hoje em dia ninguém quer ser pastor! Com estas caminhadas também queremos mostrar às pessoas, sobretudo aos mais novos, que o cabrito é barato... quando reclamam do preço nos restaurantes, como nos acontece, ao verem o trabalho que dá talvez deem outro valor. Também para o pastor pode ter outra forma de rentabilizar a sua vida e não andar tão sozinho... é uma vida de solidão".

Maria Carronda sublinha que esta também é uma forma de dinamizar a economia local. "A própria aldeia, os alojamentos locais, os restaurante todos podem ganhar algo. As pessoas vêm passar o fim de semana aqui e estando ocupados até podem ficar mais do que um dia. É um trabalho em conjunto".

Miguel Martins, proprietário da Casa Albelo do Gerês, afirma que querem um turismo baseado na pequena agricultura, consomem o que produzem... o turismo do cliente que dá valor e a aprecia esta coisas".

Quem quiser Ser pastor por um dia tem direito a merenda. "Temos pão, entremeada, chouriça, alheira, vinho e queijo", explica Fernanda Martins, que fala ao lado da fogueira acesa com ramos secos que colheram pelo caminho.

Terminado o almoço é hora de regressar, de percorrer os cinco quilómetros até à Casa Albelo do Gerês, na aldeia de Outeiro. O pastor João Fernando fica, só regressa a casa ao final da tarde.

Quem quiser viver esta experiência e ser Pastor por um dia deve contactar a Casa Albelo do Gerês, na aldeia de Outeiro, em Montalegre.

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