Vacina da gripe sim, da Covid-19 "logo se vê"

O diretor clínico do Agrupamento de Centros de Saúde de Lisboa Norte (Sete Rios, Lumiar, Alvalade e Benfica) não espera grandes sobressaltos quando chegar o momento de usar as novas vacinas para a Covid-19.

Será da chuva ou da Covid, mas não há grande movimento no centro de saúde de Sete Rios. À porta, alguns utentes deixam muito claro que não têm pressa nenhuma em estrear a nova vacina contra o SARS-CoV-2. Lá dentro, o responsável por 280 mil utentes acredita que não há que inventar, no essencial, basta seguir o esquema da gripe.

Augusto Barbosa já passou dos 80 há uns anos, tem doença crónica, mas tem mais receio da nova vacina do que do novo vírus, "desconfio, é tudo muito depressa. Vim cá porque estou aqui inscrito para a vacina da gripe, essa é que sei que é boa. Vacino-me todos os anos e já nem me lembro de me constipar..."

Por enquanto, João Ramires também está mais preocupado com a gestão da última tranche da vacina da gripe. O diretor clínico do Agrupamento de Centros de Saúde de Lisboa Norte (Sete Rios, Lumiar, Alvalade e Benfica) não espera grandes sobressaltos quando chegar o momento de usar as novas vacinas para a Covid-19.

"Temos 280 mil utentes, estamos habituados a vacinar grupos de risco todos os anos, com a vacina da gripe, não será muito diferente". Em princípio, João Ramires acredita que nem será preciso reforçar o número de enfermeiros, pode ser preciso "desviar alguns temporariamente de atividades menos prioritárias".

Estes profissionais estão habituados a ir a lares, há equipas para unidades de cuidados continuados e quando os utentes não podem também costumam levar-lhes a vacina a casa.

O acompanhamento dos efeitos secundários segue o mesmo mapa: "os efeitos adversos surgem geralmente na primeira meia hora, os mais sérios. E ninguém é vacinado e pronto, as pessoas ficam sempre acompanhadas por esse período. Já os efeitos a mais longo prazo costumam ser mais ligeiros e as pessoas também ficam em contacto", afirma o médico.

Uma das incógnitas ainda é o número exato de pessoas a vacinar na primeira fase. Doentes crónicos como os doentes renais ou com doença pulmonar obstrutiva podem estar em tratamento no hospital e ainda não é claro onde farão a vacinação.

"Terei vacinas em condições para administrar"

Este ACES também tem 40 mil utentes sem médico de família, "são pessoas geralmente atendidas em consulta extra ou até seguidas para tratamentos", o responsável clínico afirma que não será difícil chegar até estas pessoas e vaciná-las, se for o caso.

Quanto à tão falada dor de cabeça com as condições de distribuição da vacina, João Ramires mantém o mesmo tom calmo, "isso não faz parte das minhas atribuições, o que lhe posso garantir é que não duvido de que terei vacinas em condições para administrar".

As preocupações de quem participa na gestão destes centros de saúde da capital é outra, é com o que não se vê e de que se fala menos, "é com as pessoas que continuam a faltar às consultas". Não será porque se curaram subitamente, mas por receio de adoecerem ainda mais. Ricardo Ribeiro não é desses, tem 73 anos, não costuma falhar consultas e não tem grandes receios de vírus "nunca tomei a vacina da gripe. A outra logo se vê... como diz o cego".

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