Especialistas pedem cautela. Faltam dados para avaliar benefício da vacinação de crianças

A vacinação de crianças para Covid-19 é um assunto que merece a cautela dos peritos. Faltam dados para confirmar que o benefício é superior ao risco, argumentam.

Os especialistas continuam a aconselhar cautela antes do avanço para a vacinação de crianças contra a Covid-19, até porque falta apurar a eficácia das vacinas nos mais novos.

É esse o entendimento de Nuno Jacinto, presidente da Associação Portuguesa de Medicina Geral e Familiar. No Fórum TSF, o especialista afirmou que é aconselhável ter ponderação. "Claro que existe sempre um risco de, pela evolução natural do vírus, pelo processo de seleção, este vírus se voltar mais para os mais novos e começar a ter formas e variantes que sejam mais agressivas para os mais novos", começa por admitir o responsável.

"É importante que tenhamos esses dados todos. É preciso comprovar a eficácia, é preciso perceber se as vacinas são eficazes nas crianças. É preciso perceber efetivamente o que estão a prevenir, qual é a magnitude do benefício comparada com o risco da vacinação, a existir."

Nuno Jacinto advoga que esta "decisão tem de ser muito bem estudada", porque a vacina que imuniza contra o coronavírus é "algo diferente de todas as vacinas que temos tido até agora". Dando o exemplo da vacina da gripe, que não é dada genericamente a crianças, o especialista em medicina geral e familiar nota que o desenvolvimento da vacina foi um processo muito rápido e que faltam para já evidências científicas sobre a eficácia dos fármacos nas crianças. "Esta vacina da Covid-19 teve um processo acelerado de investigação, que é importante e que a sustenta", admite.

Como o processo foi acelerado, "não existem dados relativos às crianças". Trata-se de informação que está agora a ser recolhida, o que fixa este assunto "ainda na zona cinzenta", porque carece de mais trabalho de investigação científica.

Prudência é também a palavra de ordem para o pediatra Jorge Amil Dias. O presidente do colégio da especialidade de pediatria da Ordem dos Médicos quer, no entanto, "que não haja dúvidas de que os pediatras e o colégio de pediatria têm uma enorme preocupação pela implementação de programas de vacinação seguros e eficazes, em qualquer circunstância".

"No que toca especificamente a esta vacina, sabemos que toda a investigação associada ao desenvolvimento de novos fármacos e vacinas para tratar esta doença decorreu num prazo muito mais curto do que habitualmente", assinala também. Nesse sentido, a vacinação de crianças contra a Covid-19 exige "alguma investigação séria e independente" mas também uma "monitorização mais cuidada da implementação desses fármacos ou vacinas".

Para o bastonário da Ordem dos Médicos, "a vacinação não precisa de ser obrigatória" e "nenhuma criança vai ser obrigada a ser vacinada". Também no Fórum TSF, Miguel Guimarães referiu que os estudos relativamente à vacinação em crianças são menores. "Há peritos que estão a trabalhar com a Direção-Geral da Saúde para avaliar os benefícios", afirma, acrescentando que "será sempre opcional".

"Uma criança só é vacinada se aceitar ser vacinada. Teremos uma decisão dentro de pouco tempo", disse.

Hugo Rodrigues, pediatra e professor na Universidade do Minho, defende, no entanto, a vacinação acima dos 12 anos, sem qualquer reserva, numa altura em que a escalada da transmissão da variante Delta pode significar um aumento nos contágios de crianças. Os adolescentes tendem a conviver mais, assinala o pediatra, registando que isolá-los é mais contraproducente do que vaciná-los. Por isso, acima dos 12 anos, faz sentido vacinar, se a DGS aprovar e recomendar.

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