Ordem dos Enfermeiros não recomenda vacinação de crianças e defende prioridade aos adultos

Bastonária Ana Rita Cavaco alerta que a saúde pública não pode ceder a "pressões políticas porque há surtos nas escolas".

A Ordem dos Enfermeiros defendeu esta quinta-feira que não se deve avançar já com a vacinação das crianças contra a Covid-19, considerando que a prioridade deve centrar-se na vacinação dos adultos da "forma mais célere possível".

Num parecer enviado à diretora-geral da Saúde, Graça Freitas, sobre a vacinação universal de crianças entre os 5 e os 11 anos, a Ordem dos Enfermeiros (OE) defende que não se deve iniciar, para já, a vacinação deste grupo etário, "mas sim aguardar por uma maior evidência (prova) científica quantos aos custos-benefícios a médio e a longo prazo".

Em declarações à TSF, a bastonária Ana Rita Cavaco sublinha que a ordem tem um representante no grupo de trabalho da DGS e defende que "a saúde pública não pode ter decisões com base em pressões políticas porque há surtos nas escolas".

Ana Rita Cavaco cita um estudo realizado em Israel que indica que "quanto mais vacinarmos os adultos, mais proteção temos nas faixas etárias das crianças". Questionada sobre os dados revelados pela EMA, a representante dos enfermeiros explica que, depois de analisados, não há o entendimento de que "o benefício seja superior ao risco".

Os enfermeiros defendem que seria "muito positivo e desejável" que o Ministério da Saúde divulgasse os "indicadores das pessoas que estão infetadas e aquelas que estão a ser internadas em Cuidados Intensivos", para saber se são "vacinados, não vacinados ou se têm a vacinação incompleta", para ajudar a opinião pública a compreender o aumento no número de casos.

Num parecer divulgado hoje, a OE sublinha que os benefícios de saúde individuais decorrentes da vacinação de crianças saudáveis serão "limitados", face aos dados conhecidos até ao momento.

"Desta forma, face à situação epidemiológica que se mantém, considera-se que a prioridade deve centrar-se no processo de vacinação de pessoas com idade igual ou superior a 18 anos da forma mais célere possível, bem como reforçar o uso generalizado das medidas de proteção conhecidas, as quais apresentam resultados clinicamente demonstrados", lê-se no parecer.

A Ordem dos Enfermeiros recorda que todos os estudos indicam que "ao vacinar adultos se reduz o risco de exposição das crianças e adolescentes".

"Considera a OE que o benefício da vacinação para as crianças entre os 5 e os 11 anos não constitui, por si, fundamento bastante para o processo de decisão", conclui a Ordem dos Enfermeiros, na sequência do afirmado na reunião de peritos sobre esta matéria e após auscultação do Colégio de Especialidade em Enfermagem de Saúde Infantil e Pediátrica.

A Agência Europeia de Medicamentos (EMA) aprovou hoje a administração da vacina contra a Covid-19 da BioNTech/Pfizer, a crianças dos 5 aos 11 anos, sendo a primeira na União Europeia (UE) para esta faixa etária.

"O Comité dos Medicamentos para Uso Humano da EMA recomendou a concessão de uma extensão de indicação para a vacina Comirnaty [nome comercial da vacina do consórcio farmacêutico BioNTech/Pfizer] para incluir a utilização em crianças dos 5 aos 11 anos de idade", informa o regulador europeu em comunicado. A vacina já era utilizada a partir dos 12 anos.

A EMA explica que, para as crianças dos 5 aos 11 anos de idade, a dose de Comirnaty "será inferior à utilizada em pessoas com 12 ou mais anos", mas "tal como no grupo etário mais velho, é administrada como duas injeções nos músculos do antebraço, com três semanas de intervalo".

Esta é a primeira vacina aprovada na UE para crianças desta faixa etária, numa altura em que se verificam aumentos de casos nestas idades e quando os Estados Unidos já a administram.

Atualmente, a vacina Comirnaty está autorizada a partir dos 12 anos, após ter sido pela primeira vez aprovada em dezembro de 2020 para adultos na UE.

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