Venda de livros com quebras acima dos 30%, mesmo depois do confinamento

Estudo revela que pandemia afetou muito mais o mercado português de livros do que noutros países.

A venda de livros em Portugal caiu 28,3% no primeiro semestre do ano. A conclusão é de um estudo que analisou o mercado livreiro em oito países.

Portugal destaca-se por ser o país onde a queda foi, de longe, mais profunda. A Associação Portuguesa de Editores e Livreiros (APEL) não fica surpreendida e avisa que o pior ainda não passou.

O presidente da APEL refere à TSF que mais de dois meses depois do estado de emergência (que parou o país) a quebra na venda de livros continua, por estes dias, a ser muito grande, acima dos 30%.

Não é tão mau como no período em que grande parte da população ficou em casa, mas mesmo assim são valores que segundo João Alvim obrigarão muitas empresas a fazerem reestruturações profundas.

O estudo feito pela GFK, uma empresa de estudos de mercado, detalha que antes da pandemia a venda de livros crescia a um ritmo de 1% ao ano em Portugal, num cenário que se inverteu drasticamente com a Covid-19.

O 'trambolhão' português na venda de livros, 28,3% de janeiro a junho, foi muito superior à descida registada no outros sete países analisados: -18,4% em Espanha, -15,4% em França, -12,8% no Brasil, -10,1% em Itália, enquanto que as perdas na Suíça foram comparativamente pequenas (-4,4%) e na Holanda e na região da Flandres na Bélgica até houve uma subida (respectivamente, 4,2% e 1,6%).

O representante da APEL não fica surpreendido com a queda registada pela GFK em Portugal, recordando os escassos hábitos de leitura da população nacional e o baixo poder de compra, comparando com outros países europeus.

João Alvim sublinha que a crise que se vive no setor do livro deverá demorar meses ou mesmo anos a ser ultrapassada, algo que já aconteceu em crises do passado - "O embate vai ser ser muito violento e o tempo de recuperação muito lento", acredita o responsável que admite que se temem falências de livrarias e editoras, sendo difícil perceber quanto tempo as empresas vão resistir a este cenário.

Segundo a GFK, da análise que fez aos oito países, um dos raros géneros de livros que registaram um aumento de vendas durante o confinamento foram aqueles que ajudam a aprender a fazer algo a partir de casa, notando-se igualmente uma maior procura por E-books.

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