Viajantes do Brasil, Reino Unido e Espanha? Portugal pode ficar "numa posição muito dramática"

Ainda não é momento para baixar os braços e Portugal deve manter as fronteiras fechadas, já que se encontra numa situação de grande fragilidade. É o que defende António Sarmento, diretor do Serviço de Doenças Infecciosas do Hospital de São João.

António Sarmento, diretor do Serviço de Doenças Infecciosas do Hospital de São João, considera que a abertura de fronteiras em julho foi um erro que não se pode repetir, num momento em que, na Europa, a pandemia está "a regredir francamente". Não é o que acontece, no entanto, em vários outros lugares do mundo, o que inspira cautela, analisa o clínico.

"Na América do Norte, na América do Sul, em muitos sítios, ainda está em eclosão", salienta António Sarmento, em declarações à TSF.

A abertura de fronteiras em julho é uma decisão que não deveria ter sido tomada, defende o especialista. "Deveria ter-se sacrificado a economia por mais dois ou três meses, porque estávamos a regredir, mas estavam a aparecer mais [casos] noutros sítios, e com novas variantes", acrescenta. Agora, o diretor do Serviço de Doenças Infecciosas do São João espera outra decisão do Executivo: "que se mantenham as fronteiras fechadas e que se mantenham canceladas as viagens de avião".

"Nós estamos numa situação dramática." António Sarmento explica: Portugal tem uma quantidade elevada de imigrantes brasileiros, sendo o Brasil "um dos países que se encontra em situação pior no mundo, em termos de novas variantes", Inglaterra "o sítio para onde mais emigramos" e Espanha o país com o qual Portugal faz fronteira.

O especialista do hospital do Porto pede que não se desperdicem os esforços empreendidos até ao momento, e elogia o comportamento dos portugueses, numa altura em que o confinamento está a surtir efeitos. "Espero que agora não deitemos a perder, não estraguemos os sacrifícios todos que todo o país fez, que todos os portugueses fizeram; não foram só os médicos, não foram só os enfermeiros."

"Uma pandemia implica sempre quem trata dos doentes, a comunicação social e as pessoas. Temos de estar em conjunto, e fizemos todos um grande esforço." Para o diretor do Serviço de Doenças Infecciosas do Hospital de São João, houve "pequenas transgressões, pequenas festas de família que poderiam não ter ocorrido", mas "foi insignificante, quando comparamos com o que se passou na Holanda ou noutros sítios".

António Sarmento não poupa elogios à responsabilidade dos portugueses. "O nosso povo português foi realmente de uma maturidade, de uma docilidade e de uma serenidade fantásticas", enaltece.

Apesar do bom desempenho, o médico garante que "temos todos de nos consciencializar que o primeiro perigo é as pessoas estarem em recintos fechados, em proximidade física, sem proteção", e continua a temer a reabertura de fronteiras, pedindo que Portugal recorra à ajuda europeia para prolongar a medida. "Tenho imenso receio da abertura das fronteiras nesta fase, porque esta pandemia espalhou-se rapidamente em todo o mundo por causa das viagens aéreas", assinala.

"Toda a gente ia de avião para a China, e toda a gente saía da China para o resto do mundo. Quando se deu por ela na China, já estava em todo o mundo, e isso vai passar-se com a próxima pandemia."

LEIA AQUI TUDO SOBRE A COVID-19

Mais Notícias

Outros Conteúdos GMG

Patrocinado

Apoio de