Violência contra mulheres: "Nós, do sexo masculino, temos de fazer com que isto acabe"

Alunos da Escola Secundária João de Deus, em Faro, vestiram-se de negro e foram para a rua.

Quem passasse nesta manhã de sexta-feira pela rotunda que dá acesso à Escola Secundária João de Deus via estudantes, professoras e funcionárias vestidas de negro, empunhando cartazes com uma cadeira vazia à sua frente e uma flor colocada no assento. "Decidimos fazer uma homenagem em nome de todas as mulheres e colocámos cadeiras vazias que representavam as 16 mulheres que morreram a longo do ano passado com cartazes que diziam "podia ser eu".

O Pedro, aluno do 12.º ano, quis estar presente e dar o seu apoio a esta iniciativa. Porque, lembra, se há mulheres vítimas de violência, são sempre os homens os agressores. "Nós do sexo masculino temos que pôr um travão e tentar com que isto acabe", indigna-se. O jovem tenta ensaiar uma explicação para esta violência. "Talvez ciúmes, obsessão e machismo."

De manhã os estudantes já tinham colocado uma enorme tarja na rotunda que dizia "Nem mais Uma".

"Como é que é possível que em 2021 aconteça isso [a morte de 16 mulheres] e em 2022 já se estar a ultrapassar este número de casos?", questiona Mariana. "Isso ainda é mais chocante", afirma, revoltada.

A iniciativa chamou a atenção de quem passava a pé ou de carro, que abrandava a marcha para observar bem a iniciativa e perceber o que se passava. A professora Carla Alves, que faz parte da equipa de cidadania e desenvolvimento da escola secundária, explica que estas ações têm vindo em crescendo de ano para ano. "Começou com uma situação pequenina, muito a nível de escola e cada ano vamos sempre acrescentando qualquer coisa", avança. "Desafiamos os miúdos e as ideias vêm deles. Este ano saímos para a rua para chamar a atenção da comunidade", esclarece.

Pedro acredita que na geração dele já será diferente, as mulheres são vistas como iguais e não existirão os números de vítimas que engrossam as estatísticas. "Acho que cada vez é menos comum acontecer esse tipo de violência verbal ou até psicológica eu, por exemplo, com os meus colegas, não tenho verificado nada disso", garante.

O Dia Internacional para a Eliminação da Violência Contra as Mulheres celebra-se esta sexta-feira. Esta data visa alertar a sociedade para os vários casos de violência contra as mulheres, nomeadamente casos de abuso ou assédio sexual, maus tratos físicos e psicológicos.

Em média, uma em cada três mulheres é vítima de violência doméstica.

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