Vivemos numa "sociedade do medo", mas "há vida depois da pandemia"

Que sociedade teremos depois da pandemia? Seremos os mesmos? O sociólogo do ISCTE Gustavo Cardoso ajuda-nos na reflexão.

Uma coisa é certa: "Isto deixou de ser a vida como nós a conhecíamos." A convicção de Gustavo Cardoso está bem presa ao facto de "estarmos a viver, com esta pandemia, uma guerra".

Uma guerra que não coloca de um lado as pessoas infetadas com o novo coronavírus e do outro as pessoas consideradas saudáveis. É antes uma guerra de outra natureza, de tal forma, que nem os mais os velhos e muito menos os mais novos poderiam algum dia imaginar que pudesse entrar nas nossas vidas.

O sociólogo do ISCTE está certo de que vivemos, por estes dias, um período atípico e de emergência numa sociedade do medo, "o que não quer dizer que estejamos permanentemente com medo, temos é consciência do medo porque sabemos muito mais do que noutros contextos históricos sabiamos".

A forma como lidamos com o conhecimento que temos é que pode fazer a diferença. Desde logo, temos pela frente uma jornada, com prazo de validade, que se chama estado de emergência.

No entender de Gustavo Cardoso, as restrições impostas pelo governo para travar a Covid 19 "vão implicar uma nova rotina que não será para o resto da vida, mas deixará marcas no nosso quotidiano. Muito provavelmente quando o estado de emergencia acabar e quando voltarmos a sair, à vontade, às ruas daremos muito mais valor a uma série de coisas do nosso quotidiano".

O investigador do ISCTE acredita que quando tudo isto acabar teremos um novo olhar sobre as coisas mais simples da vida, como dar um abraço a um avô, olhar para o sorriso de um filho, tocar em quem amamos.

"Há um redescobrir da proximidade. No fim de contas este momento de situação de emergência, de pandemia, serve para percebermos que queremos continuar vivos".

E, claro, não esquecendo que "há vida depois da pandemia" e que como habitualmente dizemos, tudo isto "podia ser bem pior".

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