Voos noturnos do aeroporto de Lisboa causam ruído "infernal" a moradores

O "inferno" que chega dos céus estende-se às zonas próximas do Aeroporto de Lisboa, onde muitos se queixam de não conseguem dormir nem trabalhar.

A associação ambientalista Zero detetou durante a noite que o ruído causado pelos aviões ultrapassou o valor permitido em 11 decibéis, e o número de voos registados foi, durante este período, superior ao valor diário previsto.

A campanha "dÉCIBEIS A MAIS, O INFERNO NOS CÉUS" começou esta quinta-feira, pelas 17h as medições, o que permitiu obter informação sobre o período noturno, informou a Zero num comunicado.

O equipamento "devidamente homologado e certificado" detetou que o ruído previsto na lei foi ultrapassado em 11 decibéis (dB), "tendo sido registado um valor de 66,5 dB".

O "inferno" que chega dos céus estende-se às zonas próximas do Aeroporto de Lisboa, onde muitos se queixam de não conseguem dormir nem trabalhar. Alguns moradores chegam mesmo a tomar medicamentos para poderem descansar.

Os residentes, ouvidos pela TSF, queixam-se do ruído constante dos aviões que aterram e descolam do aeroporto Humberto Delgado. Luísa Freitas é uma das moradoras afetadas pelo tráfego aéreo. Vive no bairro do Rego, onde sente um zumbido constante, em casa e nas aulas.

"Talvez, a meio desta conversa, vá passar um avião, e vai perceber. Não está a ouvir já?", diz Luísa Freitas à TSF. "É algo constante", queixa-se ainda.

O "barulho" torna mais difíceis as atividades domésticas mais comuns: "Estou a ouvir música e tenho de parar a música." O mesmo se passa quando Luísa Freitas quer ver um filme ou uma série.

"Também é frequente as minhas professoras terem de parar as aulas quando passa um avião", relata.

A Zero também relatou incumprimentos quanto ao número de partidas e chegadas, uma vez que se detetaram 28 voos entre as 00h00 e as 06h00, período em que não é "suposto ocorrer qualquer movimento aéreo no Aeroporto de Lisboa".

O número registado excede os 26 movimentos previstos por dia pelo regime de exceção, criado em 2004. "Estes resultados preliminares permitem constatar desde já que há uma violação clara da legislação do ruído e do próprio regime de exceção do Aeroporto de Lisboa", lê-se no comunicado.

A Zero informou ainda que vai exigir um inquérito e a penalização da ANA pelos incumprimentos verificados.

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