Zero alerta para o sistema alimentar e defende estratégia para as leguminosas

Associação ambientalista sublinha que a cadeia alimentar portuguesa é atualmente marcada por dificuldades estruturais e pela dependência de importações de alimentos.

A associação ambientalista Zero alertou este sábado para o sistema alimentar em Portugal, que considera estruturalmente dependente de importações e desalinhado de uma alimentação saudável, defendendo uma estratégia nacional para as leguminosas.

Em comunicado e para assinalar o Dia Mundial da Alimentação, que hoje se celebra, a Zero sublinha que a cadeia alimentar portuguesa é atualmente marcada por dificuldades estruturais e pela dependência de importações de alimentos, destacando desde logo o déficit na produção de vários alimentos essenciais, como é o caso das leguminosas.

Por isso, no entendimento da Zero, a "conceção de uma estratégia nacional para as leguminosas poderá criar o precedente necessário para a transição ecológica justa do sistema alimentar, direcionando os apoios da Política Agrícola Comum de Portugal para esse fim".

A Zero aponta para "índices de autoaprovisionamento nacionais embaraçosamente baixos para alguns dos bens alimentares estratégicos, como é o caso das leguminosas secas (18%) ou mesmo dos cereais (20%), ainda que para estes últimos o país apresente limitações ao nível da disponibilidade de áreas adequadas ao cultivo".

A associação cita dados do Instituto Nacional de Estatística (INE) que indicam que não só a área de terra arável tem vindo a contrair (uma diminuição de 19% em 20 anos), como em 2019 a maior parte da produção de cereais (61,9%) foi destinada para a alimentação animal.

"Por outro lado, os solos agrícolas privilegiados estão ocupados sobretudo por culturas permanentes em regime de monocultura, resultando num ordenamento irracional das culturas e num desaproveitamento do potencial produtivo dos solos", sublinha a Zero.

A Zero lembra também, citando dados do INE de 2016, que a Balança Alimentar Portuguesa apresenta um défice de 8,8% no consumo de vegetais, enquanto os consumos de carne e de peixe se encontram 11,5% acima do valor recomendado.

No entendimento da associação, só uma estratégia alimentar que procure o aumento do consumo de proteínas de origem vegetal e a incorporação de leguminosas nos sistemas agrícolas poderá ajudar a equilibrar as dietas, valorizando produtos cultural e ecologicamente adequados.

A associação ambientalista lembra que as leguminosas "são um dos grupos alimentares da Dieta Mediterrânica, cuja promoção faz parte dos eixos de ação de várias estratégias e planos nacionais, no entanto continua em falta uma estratégia para a capacitação produtiva e comercial num quadro de uma transição ecológica justa do sistema agroalimentar".

A Zero defende que os apoios oriundos da Plano Estratégico para a Política Agrícola Comum de Portugal (PAC) 2023-27 poderão, numa primeira fase, ajudar a superar os baixos preços praticados pelo mercado através de apoios associados à produção de leguminosas.

Podem igualmente, segundo a Zero, "incentivar projetos de investigação e desenvolvimento de sistemas de produção, formas de transformação e integração em cadeias curtas, como parte de estratégias alimentares locais, sendo que a recuperação de variedades tradicionais e a extensão rural poderão desempenhar papéis centrais".

Por isso, a associação considera que a execução de uma estratégia nacional para as leguminosas é uma oportunidade de pôr em prática uma política pública orientada para a transição agroeocológica dos sistemas alimentares, em linha com a estratégia europeia.

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